GRAMADO 2017: “X500” E A JUVENTUDE SEM SAÍDA DA GLOBALIZAÇÃO.
Por Celso Sabadin, de Gramado.
“X500” trata de um tema bastante recorrente na recente cinematografia latino americana: o desencanto, a falta de perspectivas que assola a juventude.
Coproduzido por Colômbia, México e Canadá, “X500” desenvolve seu roteiro em três frentes que se alternam: a filipina Maria, que vai morar com a avó em Montreal, após a morte de sua mãe; o colombiano Alex, deportado dos Estados Unidos e obrigado a contragosto a morar em seu país; e David, que troca o interior do México pela Capital, após a morte de seu pai.
São três jovens que, de uma forma ou de outra, vêm rompidos os seus laços e as suas estruturas familiares, e deparam-se com novos tempos de impossibilidades quando buscam retomar seus caminhos: a sociedade que emergiu neste complicado século 21 fechou a maioria de suas portas para a juventude, pavimentando os caminhos da criminalidade e da violência.
Não estão abertamente explícitos, no filme, os locais onde tudo acontece. Se no início deste texto a sinopse está geograficamente localizada, isso acontece porque tais informações constam no material de divulgação do filme. Na tela, porém, o diretor Juan Andrés Arango, também autor do roteiro, optou por não deixar claro, tamanha a universalidade do tema. As entranhas das favelas, o crime organizado, a falência das instituições, a falta de rumos e perspectivas, tudo está inserido num contexto tristemente globalizado, sinalizando a falência de todo um sistema mundial. As histórias do filme podem acontecer em qualquer lugar, como de fato acontecem. Não por acaso, há cenas que lembram bastante o nosso “Cidade de Deus”.
“X500” é um retrato tristemente real do futuro de toda uma geração latinoamericana. Ou da falta dele.
Celso Sabadin viajou a Gramado a convite da organização do evento.

