“INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL – ASCENSÃO DAS MÁQUINAS”, FICÇÃO CIENTÍFICA INTIMISTA VINDA DA SÉRVIA.
Por Celso Sabadin.
A praga da globalização tem dessas coisas: o filme “Inteligência Artificial – Ascensão das Máquinas” é 100% sérvio. E totalmente falado em inglês (no original mesmo, não é dublagem), já que tal procedimento facilita as vendas para o mercado externo. Ou seja, uma grande oportunidade cultural perdida por causa do dinheiro. Uma pena.
Questões mercadológicas a parte, o filme se passa daqui a mais ou menos 100 anos, quando Milutin (o iugoslavo Sebastian Cavazza), um astronauta com problemas de relacionamento, é designado para fazer uma longa viagem espacial em uma nave gigantesca quase totalmente automatizada. Para ele não ficar sozinho, a empresa responsável pelo voo (sim, daqui a 100 anos tudo será privatizado) constrói uma bela robô humanoide (a modelo e ex-atriz pornô norte-americana, de mãe sérvia, que se identifica apenas como Stoya) batizada como Nimani.
Começa assim uma ficção científica intimista, quase que totalmente interpretada por apenas dois atores, e focada não em efeitos especiais, mas sim no relacionamento homem/mulher, no qual serão abordados assuntos como machismo, violência, solidão, assédios moral e sexual, carências psicológicas, dominação, dependências, traumas e – por que não? – amor. Com direito a final shakespeariano.
A ambientação futurista e o relacionamento dos protagonistas de “Inteligência Artificial – Ascensão das Máquinas” por vezes remete ao ótimo “Ela” (Spike Jonze, 2013), mas sem a mesma sutileza. Em um primeiro momento, estranha-se a ambientação quase que totalmente virtual do filme, que não se permite cenas abertas, mas logo se percebe que o elemento claustrofóbico tem função dramatúrgica na investigação psicológica a que o roteiro – desenvolvido a partir de contos de Zoran Neskovic – se propõe.
O título (ou no caso, os títulos), não ajudam muito. “Ineligência Artificial” já foi usado e é indelevelmente associado ao belo trabalho que Spielberg realizou 20 anos atrás. E “Ascensão das Máquinas” sugere um filme de ação e aventura, o que está longe de ser o caso.
Longa de estreia do diretor Lazar Bodroz, “Inteligência Artificial – Ascensão das Máquinas” coleciona vários prêmios em festivais internacionais de cinema fantástico, e estreia no Brasil dia 28 de janeiro através da plataforma Cinema Virtual.

