“KUMA – A SEGUNDA ESPOSA” EMPERRA NO SUPERFICIAL.

Por Celso Sabadin.

Em tempos de refugiados e grandes movimentos imigratórios,  parecia instigante a chegada nos nossos cinemas de um filme produzido na Áustria disposto a discutir a questão dos turcos residentes naquele país. Engano. A roteirista estreante Petra Ladiningg, a partir de uma ideia do próprio diretor Umut Dag (austríaco, filho de imigrantes curdos), acabou desenvolvendo uma trama que numa primeira olhada teria os elementos mais que suficientes para render um filme de grandes emoções, mas que resultou superficial.

A protagonista é Ayse (Begüm Akkaya) , uma bela jovem turca enviada a Viena para um casamento de conveniência com Mustafa. Lá chegando, ele é fortemente rejeitada pelos filhos de seu novo marido, mas acolhida com muito carinho por Fatma (Nihal Koldas), a primeira esposa de Mustafa (Vedat Erincin). Tem início assim um jogo de relações familiares desagregadoras, sentimentos não revelados, segredos e mágoas sufocadas por fortes tradições culturais.

Ao optar por não abordar as relações dos imigrantes com a metrópole europeia, circunscrevendo todas as situações dramatúrgicas única e exclusivamente ao ambiente familiar, o diretor Umut Dag certamente apostou suas fichas na intensidade e dramaticidade destas mesmas situações, o que infelizmente não acontece. O resultado final chega a beirar o telenovelesco, com soluções de roteiro muitas vezes fracas (escutar atrás porta, por exemplo) e um final inconclusivo que destoa do estilo geral da obra.

Mas de qualquer maneira “Kuma – A Segunda Esposa” fez uma ótima carreira em festivais internacionais, sendo exibido na Mostra Panorama no Festival de Berlim de 2012, e conquistando premiações em eventos internacionais.