“LUMIÈRE – A AVENTURA CONTINUA!” COMEMORA OS 130 ANOS DO CINEMA EM GRANDE ESTILO.
Por Celso Sabadin.
Agora no próximo dia 28 o Cinema comemora 130 anos de vida. Exatamente em 28 de dezembro de 1895, em Paris, foi realizada a primeira exibição pública e paga do tal Cinematógrafo, a invenção mágica dos irmãos Auguste e Louis Lumière. Os estadunidenses preferem acreditar que o inventor do cinema foi Thomas Edison, mas deixa eles, tadinhos. O mundo inteiro sabe que foram o Lumière.
Os cinéfilos não poderiam ganhar um presente comemorativo da data melhor que este: a estreia em cinemas brasileiros nesta quinta, 18/12, do documentário “Lumière – A Aventura Continua!”, assim mesmo, com ponto de exclamação. E bota exclamação nisso: o filme é uma maravilha! Pelo menos para os apaixonados pelas imagens em movimento.
“Lumière – A Aventura Continua!” é uma continuação de “Lumière! A Aventura Começa”, de 2016. Ambos os documentários foram produzidos pelo próprio Instituto Lumière, e têm por objetivo levar a público parte do imenso (cerca de 2.000 curtas) produzidos pelos famosos irmãos, agora magnificamente restaurados. Os filmes, não os irmãos.
Neste segundo episódio, o texto e a narração são do cineasta Thierry Frémaux, diretor do Instituto Lumière. Na condição de especialista na obra dos irmãos, Frémaux conduz o longa – total e unicamente composto por trechos de 120 filmes pioneiros produzidos pelos Lumière – desfilando preciosas informações sobre a obra, e provocando com sagacidade o olhar do público.
O filme demonstra com clareza e precisão que, contrariamente ao preconceituoso senso comum, aqueles brevíssimos curtas mudos e monocromáticos produzidos pelos pioneiros irmãos (cada um com 50 segundos. Os filmes, não os irmãos) lançam as bases estruturais do que viria a ser a linguagem predominante do século 20. Nos filmes dos Lumière já se encontram os elementos do documentário, da ficção e da comédia, as noções de (incríveis) profundidades de campo, composição de quadro, perspectivas, chiaroscuro, making of, atuações, etc.
Vê-se, por exemplo, um curta sobre pescadores sicilianos que facilmente poderia ser confundido com uma cena de “A Terra Treme”, que Visconti só faria meio século depois. Ou um momento familiar japonês que Ozu assinaria ma… se já tivesse nascido. Há até um “crossover” de dois curtas dos irmãos e o inevitável filme de gatinho, um século antes do Tik Tok.
O resultado é hipnótico, e provoca uma verdadeira viagem no tempo para aquela virada de século 19, período de intensas evoluções científica e tecnológica em que parecia que o mundo, finalmente, iria dar certo.

