“MADAME”: O DRAMA DA LUTA DE CLASSES TRAVESTIDO DE COMÉDIA.

Por Celso Sabadin.

Um jantar de luxo em Paris. Uma mesa refinada preparada para 13 pessoas. Supersticiosa contra o número, a anfitriã norte-americana Anne (Toni Colette) busca um décimo quarto convidado. Em cima da hora, ela pede que sua governanta, a espanhola Maria (Rossy de Palma) se faça passar por uma dama da sociedade, para completar a mesa. “Não fale, não ria, não coma muito”, recomenda a patroa. Tudo poderia dar certo, não fosse pelo carisma natural de Maria.

Com roteiro e direção de Amanda Sthers, “Madame” bebe na fonte da clássica história da personagem simples e sincera que demonstra ter valores muito superiores aos dos afetados aristocratas. O conhecido estereótipo do caipira; cada cultura tem o seu. Com jeitão de adaptação teatral (mas não é), o filme se desenrola sem o brilhantismo de diálogos que se espera em produções deste gênero. Não chega a ser genial, mas em época de polarização das discussões, o roteiro ganha atualidade ao retratar a crueldade dos donos do poder contra os seus subordinados. As ações de Anne (que por sinal está falida, mas não sabe) são simplesmente destrutivas, de um sadismo que soa natural à classe dominante. Uma camada social que arrasa, destrói, corrompe e humilha por um simples motivo: ela pode. E faz questão de exercer este poder.

“Madame” tem estreia em 29 de março.