“MINHA IRMÔ, O PODER DA ARTE.  

Por Celso Sabadin.

Geralmente costumo rejeitar – mesmo que inconscientemente – filmes sobre pacientes terminais. Talvez isto aconteça porque – também geralmente – tal tipo de filme apresente a tendência de ser emotivamente exploratório e dramaturgicamente manipulador, no mau sentido da palavra. Felizmente, nada disso acontece em “Minha Irmã”.

Coproduzido por Alemanha e Suíça, o longa mostra a luta de Lisa (Nina Hoss), uma escritora que não mede esforços para cuidar de seu irmão Sven (Lars Eidinger), um ator de teatro diagnosticado com leucemia.

Na contramão de muitos filmes do gênero, “Minha Irmã” não envereda pelo tom lamentativo/choroso da proximidade da morte, muito menos por supostas lições de superação estilo coaching. Ainda bem! As roteiristas e diretoras suíças Stéphanie Chuat e Véronique Reymond preferem abordar o importante tema da arte como motor da vida – tão esquecido nesta nossa contemporaneidade consumista – ao potencializar a força da escrita (no caso da irmã) e da interpretação teatral (no caso do irmão) não apenas como válvulas de escape para o sofrimento, mas também como energia criativa que proporcionará a base emocional para as inevitáveis dores da finitude. Ou, trocando em miúdos, a necessária apologia à força da arte.

Tal opção de roteiro se justifica pela própria trajetória da dupla de realizadoras do filme. Parceiras desde a infância, Chuat e Reymond já dividiram palcos como atrizes, já realizaram curtas, longas e seriados de TV, além do longa “La Pettite Chambre” (2010).

“Minha Irmã” é o segundo longa da dupla, e foi escolhido pela Suíça a representar o país no Oscar 2021. A estreia é nesta quinta, 28/01.