“NORM E OS INVENCÍVEIS”, DANDO RAZÃO A ALÊ ABREU.

Por Celso Sabadin.

Recentemente Alê Abreu, o criador de “O Menino e o Mundo”, declarou em entrevista que grande parte dos atuais desenhos animados de longa metragem parece ter sido feita dentro de um único estúdio, de tão similares que estas animações são entre si.

O lançamento “Norm e os Invencíveis” vem confirmar ainda mais a tese de Abreu. O longa é resultado de uma composição entre os estúdios norte-americanos Lionsgate e Slpash, mais o indiano Assemblage e o irlandês Telegael, mas tem todo o jeitão de tudo aquilo que já vimos antes, com pouca ou nenhuma criatividade. A começar pela história, que mais uma vez, por incrível que pareça, explora o tema do protagonista que não se encaixa em seu meio social, o chamado “peixe fora d´água”, ou, para usar um termo mais atual, o “diferentão”.

No caso, ele é Norm, um urso polar capaz de falar os idiomas humanos, além de ter uma percepção das coisas mais ampla e crítica que seus colegas de Ártico. Por ser diferente, obviamente Norm é discriminado. Até o dia em que desembarca no Polo Norte uma equipe de filmagem com o objetivo de fazer um comercial para vender um futuro condomínio de luxo no lugar (sim, um condomínio de casas em pleno gelo do círculo polar ártico!) e o ursão acaba contra sua vontade se transformando no “garoto propaganda” do empreendimento. É com este ponto de partida capenga que “Norm e os Invencíveis” alinhava um roteiro trôpego que utiliza num primeiro momento uma ambientação similar à de “A Era do Gelo”, que depois parte para o mais que explorado conflito urbano da especulação imobiliária, que desenvolve mal seus personagens, e que tenta conquistar a atenção da garotada com alguma correria sem sentido. Na linha de tentar fazer igual a tudo o que já foi feito, há até os pequenos lemingues, versão piorada dos Minions.

Em determinada cena de “Norm e os Invencíveis”, um personagem cineasta diz que, caso haja algum problema, o erro poderia ser consertado na pós-produção. E enfatiza: “Tudo pode ser feito na pós-produção. No meu último filme, até o roteiro foi feito na pós-produção”. Seria uma autocrítica do próprio filme?

“Norm e os Invencíveis” estreou em 31 de março.