O CORRIQUEIRO E O SUBIME SE ENCONTRAM EM “O BALÃO”.
Por Celso Sabadin.
Em um “novo mundo que trocou cavalos por motos”, como diz um dos personagens de “O Balão”, a simples presença de preservativos sexuais provoca alvoroço numa pequena comunidade do planalto tibetano. Não que eu conheça o planalto tibetano, mas é o que vem escrito no press-release. Talvez o mundo não seja tão “novo” por ali, afinal.
Enquanto garante a subsistência com sua criação de ovelhas, uma família da região administra pequenos e grandes problemas, da presença de uma irmã que se tornou freira após uma desilusão amorosa, à morte do patriarca, passando pela ingênua molecagem dos garotos ostentando seus preservativos como se fossem balões. Neste cotidiano prosaico e rural repleto de autenticidade, emergem questões fundamentais influenciadas pela política e pela espiritualidade chinesas: o peso da culpa, a reprimenda social pelo número de filhos da família, a vergonha do prazer, a inquestionabilidade da autoridade religiosa e – principalmente – a discussão sobre o aborto.
Tudo isso roteirizado e dirigido com sutileza e sensibilidade por Pema Tseden, conhecido em seu país como o primeiro estudante tibetano a frequentar a prestigiosa escola de cinema Beijng Film Academy. A refinada fotografia proporciona a “O Balão” uma aura poética que ajuda a unir o corriqueiro ao sublime em só tempo e em um só espaço.
Premiado em vários festivais orientais e ocidentais (incluindo Chicago e Hainan), “O Balão” está em cartaz na 6ª Mostra de Cinema Chinês de São Paulo, disponível até 20 de novembro, gratuitamente, em https://culturaemcasa.com.br/hotpage/6a-mostra-de-cinema-chines-de-sp/
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