O LIBERTÁRIO E HUMANISTA “MARCELO ZONA SUL”.

 

Por Celso Sabadin.

 

Motivado pela revisita recente que fiz a “Copacabana me Engana”, aproveitei esses dias meio modorrentos entre o Natal e o Ano Novo e revi “Marcelo Zona Sul”, longa de estreia de Xavier de Oliveira, também autor do roteiro.

 

Lançado em 1970, “Marcelo Zona Sul” parece um “filme-irmão” de “Copacabana me Engana”, que estreou dois anos antes. Ambos trazem protagonistas jovens urbanos brancos da zona sul carioca que não conseguem se adaptar nem às suas famílias burguesas e conservadoras, muito menos a um mercado que exige empregos tradicionais, paletós, gravatas e relógios de ponto. Ambas as famílias têm pais violentos, mães submissas e empregadas domésticas, sendo uma parda e a outra negra.

 

Marquinhos, protagonista de “Copacabana me Engana”, poderia bem ser um vizinho de apartamento ou um primo mais velho de Marcelo, do segundo filme. A diferença básica entre os longas reside no fato de Marcelo (excelente estreia de Stepan Nercessian no cinema), aos 16 anos de idade, conduzir uma narrativa mais lírica e menos sarcástica que a de Marquinhos.

Diferente de Marquinhos, Marcelo é um personagem encantador, criativo, bem humorado, amigo de seus amigos, aventureiro, libertário e otimista. Ou seja, um corpo totalmente estranho a tudo aquilo que seu sisudo pai, funcionário público de carreira,  entende como o que seria uma vida digna e respeitável, na qual só se vence através da submissão e do sofrimento.

 

Ainda que produzido e lançado nos piores momentos da ditadura civil-militar-empresarial brasileira, o filme não traz menção alguma ao fato. Uma atitude comum na época.

 

O poster do filme, ilustrado por Ziraldo, diz que “Marcelo poderia ser o seu filho ou o seu irmão. Ou você mesmo”. Faz muito sentido.

 

“Marcelo Zona Sul” pode ser visto gratuitamente em https://www.youtube.com/watch?v=ybbnkQJr1RY, com imagem boa e som marromenos.