“O ROUBO DA TAÇA”, UM CORPO ESTRANHO DENTRO DE GRAMADO 2016.
Por Celso Sabadin, de Gramado.
Mesmo que repleto de problemas (entre eles o uso de cenas violentas estranhamente abusivas de para uma comédia) “O Roubo da Taça” levanta uma questão importante: quais são exatamente as funções de um Festival de Cinema? Se entre estas funções estiver a da discussão do Cinema enquanto arte, desenvolvimento e linguagem – no que eu piamente acredito – parte-se então para outra questão: o que “O Roubo da Taça” estaria fazendo na mostra competitiva de um dos maiores festivais de cinema do país?
Que fique bem claro: não considero o filme ruim. Não é isso. Trata-se de uma comédia com altos e baixos, claramente em busca de um diálogo aberto e direto com o grande público (o que também não é problema nenhum), e que já tem sua estreia agendada para a próxima semana. Mas como contribuição ou até mesmo discussão do Cinema, “O Roubo da Taça” é intensamente inócuo. Funciona como entretenimento, sem dúvida usa (eu diria indevidamente) o Festival como plataforma de lançamento comercial, mas surge como um corpo estranho dentro de um evento que tem buscado – e conseguido – revestir-se de mais conteúdo cinematográfico, após alguns anos de tropeços superficialmente midiáticos. Além de ter sido projetado num arquivo de qualidade duvidosa, com luminosidade bem falha.
Celso Sabadin viajou a Gramado a convite da organização do evento.

