“SORRY, BABY”. OU ÀS VEZES, A GENTE SÓ PRECISA DE ALGUÉM QUE NOS OFEREÇA UM SANDUÍCHE.
Por Celso Sabadin.
Há um momento em “Sorry, Baby” que me fez refletir bastante sobre a vida e o cinema (o que, para muita gente, é a mesma coisa).
Assim: enquanto dirige, a protagonista tem uma crise de ansiedade. Assustada, ela sai da estrada e encosta no primeiro lugar que encontra, uma pequena lanchonete. Imediatamente o dono do lugar, não muito gentil, lhe grita que ela não pode estacionar lá, porque a lanchonete está fechada. Também imediatamente ele percebe que a mulher está passando mal, lhe diz que o filho dele também tem problemas respiratórios, muda sua atitude e começa a lhe ajudar. Passada a crise, ele pergunta a ela: “quer um sanduíche”?
Não é uma cena longa, nem genial, tampouco decisiva no roteiro, e jamais vai mudar a história do cinema. O personagem dono da lanchonete sequer voltará à trama. Mas para mim ela é um eficiente resumo do filme. “Sorry, Baby” é muito sobre isso: empatias, afetos, pessoas precisando de pessoas, carinhos escondidos e explícitos, inseguranças inconfessáveis, um mosaico de simples mas profundas emoções cotidianas esparramadas pela inexorável necessidade de tocar a vida com alguma normalidade.
Tudo isso dentro de uma narrativa dirigida sem pressa, com tempos, respiros, silêncios e espaços que nos convidam à reflexão, que não entopem nossos ouvidos com músicas incessantes nem ferem nossos olhos com a presença de policiais ou armas. Uma coprodução entre EUA, Espanha e França, roteirizada, dirigida e interpretada por Eva Victor, francesa radicada nos EUA que iniciou sua carreira de atriz no curto seriado “Human Resources” e estreou como diretora na série “Eva vs. Anxiety”, que também estrelou. Talvez isso explique um certo tom “episódico” de “Sorry, Baby”, seu primeiro longa como diretora.
Com muitos méritos, “Sorry, Baby” tem colecionado vários prêmios e indicações pelos festivais por onde passou (incluindo Cannes e Sudance) e tem tudo para colocar Eva Victor na rota por voos maiores.
O filme estreou em cinemas na quinta passada, 11/12, e deve entrar na segunda semana de exibição a partir do dia 18.

