“TRANSTORNO EXPLOSIVO”, SIMPLESMENTE EXASPERANTE.

Por Celso Sabadin.

Benni, de 9 anos, tem um sério problema: ela não consegue controlar seus intensos surtos de raiva. Auxiliada por uma dedicada assistente social, ela transita entre vários centros de recuperação, sem sinais de melhora. Sua mãe tampouco consegue lidar com o problema.

Com roteiro e direção de Nora Fingscheidt, ”Transtorno Explosivo” não se pretende ser um filme-cura de Benni. Nem um manual audiovisual de auto-ajuda, muito menos um compêndio médico sob a forma de cinema. É justamente aí que reside o grande mérito do longa: ele simplesmente expõe o caso. Em toda a sua dolorosa dimensão, sem julgamentos, de maneira humana e pungente. Não constrói heróis, nem vilões. Não apela para soluções e sensacionalismos fáceis. Chega a dar dor no peito.

E para isso conta com a fundamental atuação de Helen Zengel, no papel de Bennie, a garotinha que apesar da pouca idade já havia atuado em três longas e uma série de TV, antes de estrelar “Transtorno Explosivo”. Com uma atuação impressionante, a menina tem levado vários – e merecidos – prêmios de interpretação por este difícil papel.

O filme longa levou oito prêmios no German Film Award (o mais importante da Alemanha) e dois no Festival de Berlim.

Exasperante.