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CEARENSE "ESTRADA PARA YTHACA" VENCE EM TIRADENTES.

Redação


Foram anunciados na noite deste sábado (30) os filmes premiados na 13ª Mostra de Cinema de Tiradentes. Pelo terceiro ano consecutivo, o Júri Jovem e o Júri da Crítica escolheram cada um seu Melhor Filme entre as obras apresentadas dentro da Mostra Aurora, seção dedicada a diretores em início de filmografia e que este ano apresentou sete longas metragens inéditos de diretores do Ceará, Pernambuco, Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro. Já o tradicional Júri Popular contemplou os preferidos do público entre os longas e curtas-metragens exibidos dentro da programação.


Como Melhor Filme, foi eleito pelos cinco membro do Júri da Crítica o longa cearense Estrada para Ythaca, de Guto Parente, Luiz Pretti, Pedro Diogenes e Ricardo Pretti, que teve sua pré-estreia mundial em Tiradentes.

"Tivemos um conjunto heterogêneo de propostas na Mostra Aurora, todos com um intenso desejo de busca e conectados às propostas do cinema contemporâneo. Elegemos Estrada para Ythaca como uma aposta em um cinema ousado e vigoroso, realizado coletivamente e que aponta para formas mais cooperativas de se produzir", explicou Luiz Carlos Merten, que subiu ao palco representando o Júri da Crítica.

Estrada para Ythaca também foi eleito pelo Júri Jovem como Melhor Filme da Mostra Aurora, "por se lançar a um projeto arriscado de cinema, que contempla tradição e modernidade, percurso e chegada, desagregação e amizade; por fazer da falta aquilo que move os impasses e impulsos de uma geração; por transformar a precariedade em recurso expressivo e a impossibilidade em potência; e para que o caminho percorrido possa se desdobrar em outros, vividos e imaginados, perigosos e desconhecidos, aventureiros e maravilhosos".

"Ficamos muito estimulados em receber esse prêmio. Essa vontade de cinema é o que nos move e é importante que isso esteja sendo reconhecido. Quero propor um brinde à resistência e à amizade", comemorou Guto Parente, sob aplausos entusiasmados da platéia.

O Júri Jovem também optou por atribuir uma Menção Honrosa, desta vez ao filme Mulher à Tarde, de Affonso Uchoa, "por sua valorização do potencial poético e estético do cinema, compondo planos de maneira acurada e respeitando o tempo requerido por cada um deles, por sua resistência à aceleração do fluxo de imagens no cenário contemporâneo e por seu potente diálogo com a pintura".

Os prêmios de ambos os júris acabaram por destacar um longa que foi finalizado especificamente para a Mostra de Tiradentes e que teve sua primeira exibição pública no evento mineiro, consolidando a Mostra como uma das principais plataformas de lançamento de jovens realizadores com um perfil de linguagem mais ousado e inovador.

Os contemplados como Melhor Filme da Mostra Aurora receberão serviços de finalização da Teleimage e do grupo Cinema / Labocine, além de 6 latas de negativo da Kodak e R$ 6 mil em serviços de iluminação, acessórios e maquinários da Quanta para sua próxima produção.

Concorriam ao Prêmio Aurora os filmes A Falta Que Nos Move, de Christiane Jatahy (RJ); Esperando Telê, de Rubens Rewald e Tales Ab´Saber (SP); Mulher à Tarde, de Affonso Uchoa (MG); Pacific, de Marcelo Pedroso (PE); Terras, de Maya Da-Rin (RJ); Um Lugar ao Sol, de Gabriel Mascaro (PE); e a pré-estreia mundial de Estrada Para Ythaca, de Guto Parente, Luiz Pretti, Pedro Diogenes e Ricardo Pretti (CE).

Críticos e pesquisadores formaram o Júri da Crítica: Luiz Carlos Merten, José Geraldo Couto, Luciana Araújo, André Brasil e Denílson Lopes. Já o Júri Jovem foi composto a partir de um workshop de análise de linguagem realizado na última Mostra CineBH.

Já os vencedores do Júri Popular foram escolhidos a partir da votação do público após as sessões da Mostra. Na Mostra Foco de curta-metragem, 34 trabalhos de oito estados diferentes concorriam ao Troféu Barroco do Júri Popular, e o escolhido como Melhor Curta foi Recife Frio, de Kleber Mendonça Filho, que receberá material e serviços da CTAv, Teleimage, Kodak, Quanta e do Grupo Cinema/Labocine.

O prêmio de Melhor Curta da Mostra Panorama, onde concorriam 43 curtas de 12 estados do país, foi para Obra-Prima, de Andréa Midori Simão e Thiago Faelli. O filme receberá serviços da Quanta, Estúdios Mega e Megacolor. Ainda entre os curtas-metragens, O Filme Mais Violento do Mundo, de Gilberto Scarpa, foi o vencedor do prêmio Aquisição Canal Brasil, que contempla o valor de R$ 15 mil e a exibição do filme na grade de programação. Entre os longas, foi escolhido pelo público da Mostra de Tiradentes como Melhor Longa o documentário Herbert de Perto, de Roberto Berliner e Pedro Bronz.

Abaixo todos os premiados da 13ª Mostra de Cinema de Tiradentes:


Júri da Crítica

Prêmio Aurora de Melhor Filme - Estrada para Ythaca, de Guto Parente, Luiz Pretti, Pedro Diogenes e Ricardo Pretti (CE)

Júri Jovem

Menção Honrosa - Mulher à Tarde, de Affonso Uchoa (MG)

Prêmio Aurora de Melhor Filme - Estrada para Ythaca, de Guto Parente, Luiz Pretti, Pedro Diogenes e Ricardo Pretti (CE)

Júri Popular

Melhor Curta - Mostra Foco - Obra-Prima, de Andréa Midori Simão e Thiago Faelli (SP)

Melhor Curta - Mostra Panorama - Recife Frio, de Kleber Mendonça Filho (PE)

Melhor Longa - Herbert de Perto, de Roberto Berliner e Pedro Bronz (RJ)


Prêmio Aquisição Canal Brasil: O Filme Mais Violento do Mundo, de Gilberto Scarpa (MG)


A 13ª Mostra de Cinema de Tiradentes aconteceu de 22 a 30 de janeiro, na histórica Tiradentes, que recebe toda infra-estrutura necessária para sediar uma programação cultural intensa e gratuita. São instalados três espaços de exibição - o Cine-Praça, no Largo das Fôrras (espaço para mais de 2.000 espectadores), e o Complexo de Tendas, que sedia a instalação do Cine-Tenda (com 700 lugares) e do Cine-Teatro (com platéia de 150 lugares), que funciona no Centro Cultural Yves Alves, sede do evento.

A Mostra de Cinema de Tiradentes inaugura o programa Cinema sem Fronteiras 2010 apresentando a diversidade do cinema brasileiro contemporâneo em formação, reflexão, exibição e difusão. Promovida pela Universo Produção, em edições anuais, o evento soma-se às outras realizações que a empresa promove em Minas Gerais, de forma diferenciada e complementar: a CineOP ? Mostra de Cinema de Ouro Preto [que difunde o audiovisual como patrimônio, em junho], e a Mostra CineBH [que contextualiza o mercado audiovisual, em outubro], na capital mineira