BRASÍLIA 2013: “OS AMERICANOS VÃO GANHAR A GUERRA”, DIZ DISTRIBUIDOR.

Jean Thomaz Bernardini, proprietário da distribuidora Imovision e das salas de cinema paulistanas Reserva Cultural, foi taxativo na tarde desta quarta-feira (18/09), durante seminário realizado no 46º Festival de Cinema de Gramado: “Estamos perdendo a guerra”. Ele se referia à eterna luta do cinema americano comercial contra as cinematografias mais autorais, como a europeia, asiática e mesmo a brasileira. “Os americanos sempre quiseram 100% do mercado, e do jeito que as coisas vão, eles vão conseguir”, afirmou. A revolta se deve à crescente dificuldade de manter em cartaz filmes de menor apelo comercial, que estão perdendo seus espaços para o produto norte-americano em proporções cada vez maiores.

“Antes – continua Bernardini – havia uma regra: se o filme mantiver a média de público necessária à sua sala, ele dobra a semana. Hoje nem isso existe mais. Até filmes que estão fazendo bom público são empurrados para fora da sala pelo grande filme americano”.
O distribuidor/exibidor atribui parte da culpa pela situação à imprensa e à falta de políticas públicas para o setor. Da mídia, Bernardini reclama que “ela dá mais espaço para quem não precisa, e dá um rodapezinho de página para o filme autoral”. E do poder público ele lamenta a falta de incentivos para a abertura de novas salas de rua. No mesmo seminário, a jornalista Maria do Rosário Caetano complementou o raciocínio de Bernardini atribuindo outra parte desta culpa ao público: “Eu nunca na minha vida tinha visto antes tamanho desinteresse do público pelos filmes mais artísticos”, afirmou. Bernardini disse também que nos últimos 5 anos a permanência em cartaz dos filmes ditos “menores” caiu nada menos que 77%.

Silvia Cruz, da distribuidora Vitrine, especializada em filmes independentes, defende a tese de diferenciar o preço dos ingressos para atrair mais público. E contabiliza: “Desde 2010, ano de fundação da Vitrine, já distribuímos 33 filmes, sendo 30 brasileiros. É muita coisa, mas o público para estes filmes é muito pequeno, quase sempre abaixo de 10 mil ingressos vendi. Sonhamos que o Brasil produza filmes de bilheteria média, que possam atrair de 400 a 500 mil espectadores”, finaliza.

Celso Sabadin viajou a Brasília a convite da organização do Festival.