CINE OP COMEÇA NESTA QUINTA E O FAM NA SEXTA. SAIBA TUDO AQUI.
Dois importantes eventos de cinema do Brasil têm início entre hoje (11) e amanhã (12): a oitava edição do CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto, e o 17o. FAM – Florianópolis Audiovisual Mercosul. Saiba tudo sobre eles:
A CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto– único evento do Brasil a enfocar a preservação, a história e a educação audiovisual – dá início à programação de sua oitava edição amanhã, dia 13 de junho, a partir das 20h30, no Cine Vila Rica, com as exibições do curta Uma Alegria Selvagem, de Jurandyr Noronha, e do longa Brasil Ano 2000, de Walter Lima Jr, ambos homenageados desta edição. Antes mesmo da abertura oficial, entretanto, a cidade já está respirando cinema com as tradicionais oficinas (que tiveram início nesta quarta), além da exibição do clássico Terra em Transe, de Glauber Rocha, e da realização da primeira reunião de trabalho dos participantes do Encontro Nacional de Arquivos, ambos nesta quinta-feira.
A cerimônia de abertura no Cine Vila Rica, que contemplará as homenagens a Jurandyr Noronha e Walter Lima Jr, contará com uma performance audiovisual assinada por Chico de Paula e André Amparo que irá apresentar ao público o conceito da temática da 8ª CineOP. A performance conta com participação especial de Rodolfo Vaz– ator que já acumulou diversos prêmios e desde 1989 integra o Grupo Galpão – e do DJ Rafael Soares.
A mostra oferece até o dia 17 de junho uma programação abrangente e gratuita que reúne mais de 50 filmes em 33 sessões em três espaços da cidade – o Centro de Artes e Convenções, a Praça Tiradentes e o históricoCine Vila Rica, fundado em 1957 e ainda hoje uma referência entre as salas de exibição que resistiram ao tempo no interior de Minas Gerais.
Programação Histórica
A Temática Histórica deste ano contará com o tema “1964-1969: O Cinema Brasileiro entre o Golpe e o AI-5”, antecipando as reflexões sobre os 50 anos do Golpe de 64. Seis filmes emblemáticos desse período irão compor essa programação: Terra em Transe, de Glauber Rocha (1967);Trilogia do Terror, de Ozualdo Candeias, Luiz Sérgio Person e José Mojica Marins(1968);Anuska, Mulher Manequim, de Francisco Ramalho Jr (1968); Bebel, Garota Propaganda, de Maurice Capovilla (1968); El Justiceiro, de Nelson Pereira dos Santos(1968); eBrasil Ano 2000, de Walter Lima Jr (1968).
“É interessante perceber nesses filmes a importância dos intelectuais como personagens, politizados ou não, mas sempre impotentes e fracassados em suas missões, bem como a importância da alegoria e as menções ao regime,diretas ou indiretas”, afirma Cléber Eduardo, curador da Temática Histórica.
Preservação Audiovisual em Tempo de Compartilhamento
Enquanto a temática histórica aborda o período sombrio de nossa história (1964-1969), a temática preservação da 8ª CineOPpropõe pensar a preservação audiovisual em tempo de compartilhamento.“A cultura do século XXI é a cultura do compartilhamento, do cruzamento e da transformação de informações das mais variadas naturezas, onde o audiovisual assumiu caráter central. O estímulo à vida do cidadão – um dever básico do Estado – passa cada vez mais pela ação conjunta chamada preservação audiovisual”, afirma Hernani Heffner, curador da Temática Preservação.
Mais de 100 profissionais do setor da preservação de vários Estados do Brasil estão sendo aguardados para participar do 8º Encontro Nacional de Arquivos e Acervos Audiovisuais Brasileiros, que contará ainda com a presença do Secretário do Audiovisual do Ministério da Cultura, Leopoldo Nunes. Entre os principais destaques do Encontro de Arquivos que integra o Seminário está a palestra inaugural “Balanço de um Campo: A Arquivística Audiovisual”, com o convidado internacional Ray Edmondson(Austrália), que verá sua principal publicação, “Audiovisual Archiving: PhilosophyandPrinciples”, referência no meio, ter sua primeira edição em língua portuguesa, numa iniciativa da CineOP e da ABPA, sendo lançada neste ano em Ouro Preto.
CINEMA CONTEMPORÂNEO, DE OLHO NO PASSADO
Mas nem só de passado é composta a programação da 8aCineOP. A Mostra Contemporânea trará a Ouro Preto cinco longas, quatro médias e 30 curtas, todos em pré-estreia nacional. “A seleção contemporânea desta edição privilegia filmes que usam as imagens de arquivo de maneira a fazer dialogar o cinema contemporâneo com as imagens feitas em outras circunstâncias históricas e estéticas. De documentários a ficções, as maneiras de diálogos entre imagens de hoje e imagens de ontem são plurais e pretendemos colocar em foco diálogos inovadores e originais.”, ressalta Pedro Maciel Guimarães, que assina a curadoria da Mostra Contemporânea juntamente com os críticos Cássio Starling Carlos e Francis Vogner dos Reis.
Entre os longas, um olhar na história e personagens de nosso cinema: A Primeira Vez do Cinema Brasileiro, de Bruno Graziano, Denise Godinho e Hugo Moura, sobre os bastidores de Coisas Eróticas, primeiro filme brasileiro de sexo explícito; Cine Holliúdy, de Halder Gomes, sobre a chegada em massa da televisão no interior do Ceará, na década de 1970, colocando em risco a popularidade das salas de cinema da região; Mazzaropi, de Celso Sabadin, sobre um dos maiores ícones do cinema brasileiro; Ozualdo Candeias e o Cinema, de Eugênio Puppo, sobre um dos mestres da Boca do Lixo; eSinais de Cinza, a peleja de Olney contra o Dragão da Maldade, de Henrique Dantas, sobre a vida do cineasta Olney São Paulo, cuja trajetória foi interrompida pela ditadura militar.
Integra também a programação de filmes da 8ª CineOP, a Mostra Cine-Escola dirigida aos alunos e educadores de Ouro Preto. Estima-se que mais de 3.500 alunos participem do programa Cine-Expressão- A Escola vai ao Cinema que além das sessões, oferece também oficina de capacitação para educadores e Cine-debate. Já a Mostrinha de Cinema exibirá longa, média e curtas para a nova geração.
EDUCAÇÃO PARA O FOMENTO DA CULTURA AUDIOVISUAL
Finalizando o tripé que compõe a programação da 8aCineOPtemos a Temática Educação, que agrega os integrantes da Rede Kino – Rede Latino-Americana de Educação, Cinema e Audiovisual. “Neste ano, o Fórum da Rede Kino apresentará diversas experiências criativas com cinema de formação e produção audiovisual com cineastas, professores e estudantes. Será discutido o papel das universidades, escolas, ONGs e festivais como pontos de encontro e promoção de novos saberes e práticas. Destaca-se a urgência de estabelecer um diálogo direto entre o MinC e o MEC para definir políticas públicas que contemplem a alteridade e a criação como gestos próprios da cultura e da educação”, afirma a professora Adriana Fresquet, colaboradora da Temática Educação.
Diversas iniciativas com foco na formação de professores, em produções realizadas por crianças e adolescentes na Educação Básica e o papel dos festivais como ponto de encontro e difusão serão discutidas na mesa “Cinema e Educação: Experiências Criativas”. Já o debate “Experiências Latino-Americanas de Cinema com Crianças” abordará o ensino de cinema nos subúrbios das grandes capitais e nas aldeias indígenas, com ênfase na metodologia do projeto Vídeo nas Aldeias, que já completou 27 anos.
A 8ª CineOP,além da exibição de filmes em pré-estreias nacionais e retrospectivas, homenagens, debates, Seminário, Encontro Nacional de Arquivos, promove também atividades que integram cinema e educação, shows musicais, lançamento de livros, exposição, cine-concerto, cortejo da arte “Verde e Amarelo”.
TODA PROGRAMAÇÃO É OFERECIDA GRATUITAMENTE AO PÚBLICO.
Já o Florianópolis Audiovisual Mercosul (FAM 2013) chega a sua 17ª edição consecutiva em Florianópolis como um dos principais eventos audiovisuais do Sul do país a proporcionar ao público uma janela para as mais interessantes produções recentes do cinema latinoamericano e, ao mesmo tempo, um espaço privilegiado ao debate dos temas emergentes da política e da estética do audiovisual.
O evento, entre 14 e 21 de junho na Universidade Federal de Santa Catarina, com entrada gratuita em todas as atividades, acontece graças ao patrocínio da Petrobras, Ministério da Cultura/Governo Federal, Lei de Incentivo a Cultura, FunCultural/Secretaria de Estado de Turismo, Cultura e Esporte/Governo do Estado de Santa Catarina, apoio da Universidade Federal de Santa Catarina e Fundação Franklin Cascaes/Prefeitura Municipal de Florianópolis, com realização da Associação Cultural Panvision.
Serão sete mostras de longas e curtas-metragens no festival, com palco principal no Auditório Garapuvu do Centro de Cultura e Eventos, e cinco painéis do Fórum Audiovisual Mercosul, além de encontros das entidades audiovisuais da região.
Ao todo, entre longas e curtas-metragens, serão exibidos 82 filmes nos oito dias do FAM. A mostra mais tradicional, a Mostra de Longas Mercosul, trará nove filmes dentre as grandes produções recentes do cinema da região, sendo dois exibidos no encerramento do FAM, dia 21, como tem sido nas últimas edições. Cinco deles são brasileiros: “Rendas no Ar”, de Sandra Alves, que fará sua estreia, “Nove Crônicas para um Coração aos Berros”, de Gustavo Galvão, “Cores”, dirigido por Francisco Garcia, “A Memória que me Contam”, de Lúcia Murat, e “A Casa Elétrica”, de Gustavo Fogaça, este uma coprodução com a Argentina.
Outra coprodução, desta vez Chile-Argentina, é o faroeste “Sal”, de Diego Rougier, ganhador de mais de 40 prêmios. Da Venezuela, país que passou a integrar o Mercosul em 2012, vem dois longas, “La Niña de Maracaibo”, de Miguel Curiel, e “Piedra, papel o tijera”, de Hernán Jabes, candidato venezuelano ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. O Uruguai estará representado por “Tanta Água”, de Ana Guevara e Leticia Jorge, prêmio de melhor filme pela crítica especializada no Festival de Berlim. Mostra não-competitiva, terá as sessões sempre às 21 horas, no Auditório Garapuvu do Centro de Cultura e Eventos.
Mostras competitivas
Nas quatro mostras competitivas do festival concorrerão 48 produções, do Brasil, Uruguai e Argentina. A Mostra de Curtas Mercosul tem o maior número de participantes, 24 filmes, entre eles diversas estreias, como as produções catarinenses “Desencanto”, de Marco Stroisch, “O Homem Dublado”, de Renato Turnes, e “Sem perder a ternura”, de Marcia Paraiso e Ralf Tambke.
O DOC-FAM, mostra dedicada aos documentários, que se notabilizou por apresentar grandes produções do gênero, terá sete longas-metragens, entre eles um convidado, “A mulher de longe”, de Luiz Carlos Lacerda, que retoma um filme inacabado do escritor/diretor Lúcio Cardoso iniciado em 1949. Política e música são temas de destaque da mostra, como em “Dossiê Jango”, de Paulo Roberto Fontenelle, que reaviva a discussão sobre o suposto assassinato do ex-presidente brasileiro João Goulart, em 1976, durante o governo de Ernesto Geisel e “Música Serve para Isso – Uma História dos Mulheres Negras”, de Bel Bechara e Sandro Serpa, sobre a original banda dos anos 80 de André Abujamra e Maurício Pereira.
A Mostra Catarinense, com oito filmes, realizados na maioria em Florianópolis, terá entre outros, a estreia da animação “O herói salva a cidade dentro de um sapato”, de Yannet Briggiler, cujos filmes já participaram em outras edições do FAM. Por fim, a Mostra Infantojuvenil terá nove produções concorrentes e mais seis filmes convidados (integrantes da mostra FESTin, de filmes em língua portuguesa), voltados ao público composto por milhares de crianças e adolescentes de escolas públicas e particulares da Grande Florianópolis. Em 2012, mais de 3,3 mil crianças participaram da mostra, que está aberta a inscrições de escolas.
Além do Troféu Panvision em diversas categorias, as premiações este ano aos filmes vencedores nas quatro mostras competitivas somam R$ 70 mil em serviços, equipamentos e bolsas de estudo para realizadores, oferecidos pelos apoiadores Dolby, Kodak, Cinecolor, Orbital, CiaRio – Moviecenter, CiaRio – Naymar, O2 pós, White Gorilla, FocoBr e Cooltunes.
Mostras convidadas
Duas outras mostras não-competitivas convidadas completam a programação do festival. Outros Olhares, com oito curta-metragens, vai destacar recentes produções da Venezuela.
A mostra FESTin Ilha traz ao FAM filmes do FESTIN – Festival de Cinema Itinerante da Língua Portuguesa, realizado em Lisboa, que teve a quarta edição em abril. A mostra no FAM tem curadoria dos cineastas Zeca Nunes Pires e Maria Emília de Azevedo e vai exibir 16 curtas e um longa-metragem, produzidos em Portugal, Angola, Guiné-Bissau e Brasil. O longa é catarinense, “O Tesouro do Morro da Igreja”, de Alexandre Corrêa (2012), drama de ficção que se passa na região serrana do estado.
Homenagens
O FAM fará este ano duas homenagens: à Associação Brasileira de Documentaristas e Curtametragistas (ABD Nacional), que completa 40 anos de história como uma das entidades de maior importância política no país a reunir realizadores de documentários e curtas-metragens. A outra homenageada é Zita Carvalhosa, criadora do Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo – Curta Kinoforum, um dos maiores e mais tradicionais eventos mundiais dedicados ao formato do curta-metragem.
Fórum Audiovisual Mercosul
O Fórum Audiovisual Mercosul, realizado desde a primeira edição do FAM, constitui-se num espaço estratégico, reconhecido no meio institucional e entre os realizadores, dedicado ao debate das políticas públicas para o audiovisual da região, às manifestações estéticas e ao intercâmbio entre os profissionais da área. O fórum será composto de cinco painéis, dos dias 17 a 19/06, com os temas mais emergentes do cenário audiovisual: “TV Pública na emergência das linguagens digitais”, “Experiência de coproduções, a visão dos produtores”, “A TV no âmbito da Lei 12.485/2011 e a demanda de produção de conteúdos regionais”, “Coproduções – acordos bilaterais do bloco” e “Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) e Prodav/Sul”.
Entre os participantes estarão Orlando Senna, presidente da Televisão América Latina (TAL) e Eva Piwowarski, que coordena o programa Polos Audiovisuais da televisão digital aberta da Argentina.
Da programação do fórum também faz parte o encontro das principais entidades cinematográficas do Sul do país, Cinemateca/ABD, Sintracine, Santacine, Siapar, Avec/ABD, Siav, Aptc/ABD.
O FAM 2013 também tem as Paralelas, apresentações musicais que antecedem as sessões noturnas no hall do Centro de Cultura e Eventos.

