COM ISABELLE HUPPERT, “AS PESSOAS AO LADO” ESTREIA EXCLUSIVAMENTE NO RESERVA CULTURAL.

Por Celso Sabadin.

Curioso: em poucas semanas, “As Pessoas ao Lado” é a segunda estreia de filme francês que aborda o tema da má imagem da polícia perante a população. E ambos são protagonizados por mulheres. O outro é “Caso 137”.

Em “As Pessoas ao Lado”, a policial em questão é Lucie (a infalível Isabelle Huppert), profissional dedicada, mas ressentida com a instituição, que ela julga ter culpa pela morte de seu companheiro, o também policial Slimane (Moustapha Mbengue). Quando um jovem casal e sua filhinha (Nahuel Pérez Biscayart, Hafsia Herzi e Romane Meunier) se mudam para a casa ao lado, Lucie transfere aos novos vizinhos vários de seus vazios e carências, dando início a um perigoso relacionamento que pode trazer consequências desastrosas.

Dirigido pelo veterano e multipremiado André Téchiné (só de indicações a Palma de Ouro em Cannes, o homem tem meia dúzia), “As Pessoas ao Lado” não traz a mesma carga dramática dos seus melhores trabalhos anteriores. Parte disso se deve ao roteiro – assinado pelo próprio diretor, ao lado de Régis de Martrin-Donos – que vai se tornando bem previsível no transcorrer da ação.

Huppert, como é de costume, brilha, e o restante do elenco tampouco decepciona, mas não é o suficiente para evitar um certo sabor de decepção que se instala ao final da projeção. A narração em off da protagonista durante todo o tempo, explicando o que já estamos vendo, e sinalizando desde o começo que a história vai acabar em inquérito também não ajuda muito.

Estreando exclusivamente no Reserva Cultural (São Paulo e Niterói) nesta quinta-feira, 14/05, “As Pessoas ao Lado” foi selecionado para a Mostra Panorama no Festival de Berlim.