DOCUMENTÁRIO “MÁRIO LAGO” TEM EXIBIÇÃO NESTA QUARTA-FEIRA, 23.
“Jura? O Mário Lago? Não sabia!”. É verdade. Grande parte do público desconhece as várias facetas do poeta, radialista, compositor, ator e comunista de carteirinha Mário Lago. Ele foi advogado também, mas preferia “não confessar este crime”, segundo suas próprias palavras. Alguns o viam somente como o compositor de “Amélia”; outros apenas como ator da Globo.
Para mostrá-lo por inteiro, em seus diversos ângulos, Marco Abujamra e Markão Oliveira roteirizaram e dirigiram o documentário de longa metragem que se chama, simplesmente, “Mário Lago”. Sem a necessidade de subtítulos, pois Mário Lago se explica por si só.
Inclusive, através de várias e deliciosas entrevistas realizadas em programas de televisão, Mário é um dos próprios fios condutores de seu filme, ainda que inadvertidamente. A ele, somam-se ricos e divertidos depoimentos de Gracindo Júnior, Bete Mendes, Nelson Sargento, Tony Ramos, antigos colegas e parceiros, familiares, e até um Lima Duarte que demonstra uma grande dificuldade em tocar em outro assunto que não seja… Lima Duarte.
O filme extrapola o próprio biografado. Alto astral, ele propõe com delicadeza uma breve viagem a um Rio de Janeiro mais ingênuo e romântico, sem deixar de abordar questões políticas que colocaram Mário Lago nada menos do que sete vezes por detrás das grades. Nas mais diversas ditaduras pelas quais nosso país já passou.
Há o resgate de imagens históricas, como as Andrews Sisters cantando uma versão muito particular de “Aurora”, ao lado de Abbott e Costello no musical hollywoodiano “Hold That Ghost” de 1941. Há o tocante registro de Dercy Gonçalves, a única pessoa do meio artístico que peitou os poderosos e tirou Mário Lago da lista negra que a ditadura lhe havia imposto, impedindo-lhe de trabalhar. Há muitas fotos raras de espetáculos antigos, e várias cenas dos mais variados estilos que o talento do Mário-ator esbanjou na TV e no cinema. Além, é claro, de deliciosas canções compostas por ele.
Para Marco Abujamra, que também dirigiu o premiado “Jards Macalé – Um Morcego na Porta Principal”, Mário Lago era “uma flor com raízes de aço. Se é possível ser acolhido postumamente, creio que o fui. É a segunda biografia que faço, e nas duas busquei me inspirar na obra e na intimidade dos personagens para desenvolver a linguagem, para escolher como contar essas histórias. E esse mergulho delicioso na vida de Mário Lago foi um privilégio que estará sempre guardado num lugar muito especial em meu coração”, observa.
Já na visão do diretor Markão Oliveira, “o documentário nos leva para um Rio de Janeiro mais gentil, alegre e delicado e também para um momento histórico, tenebroso, passando pela formação de diversas produções culturais e artísticas que marcaram o século 20 no Brasil”.
Para completar, o filme traz versões de poesias de Mário Lago musicadas por Lenine e Arnaldo Antunes e nos leva a compreender a frase de Mário Lago: “Fiz um acordo de coexistência pacífica com o tempo: Nem ele me persegue, nem eu fujo dele, um dia a gente se encontra”.
A primeira exibição de “Mário Lago” acontece nesta quarta-feira, dia 23, às 20 horas, no Espaço Itaú de Cinema – Anexo 4, na Rua Augusta, dentro da 37ª. Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.

