EM PAULÍNIA, “ONDE ESTÁ A FELICIDADE” GANHA O PÚBLICO COM HUMOR RASTEIRO.
O Festival de Cinema de Paulínia viveu ontem (10) um dia, no mínimo, irônico. À tarde, 28 críticos de cinema finalmente oficializaram a fundação, após mais de um ano de reuniões e articulações, da ABRACCINE – Associação Brasileira de Críticos de Cinema. E logo em seguida, à noite, foram exibidos no Teatro Municipal da cidade os filmes – digamos assim – “menos empolgantes” até agora de toda a competição.
Tanto o documentário “Cidade Ímã” como a ficção “Onde Está a Felicidade” foram muito mal recebidos pela maioria da crítica que horas antes comemorava a criação de sua associação profissional.
Dirigido pelo ator e produtor Carlos Alberto Ricelli, “Onde Está a Felicidade” explora a crise da meia idade vivida por Teodora (Bruna Lombardi), uma apresentadora de televisão que comanda um bizarro programa sobre receitas culinárias eróticas. À beira de um ataque de nervos, Teodora acredita que só existe um caminho para superar o inferno astral que está vivendo: trilhar o famoso Caminho de Santiago de Compostela. E parte destrambelhada para a Espanha, para o desespero do marido Nando, um comentarista de futebol.
Com roteiro escrito pela própria Bruna Lombardi, o filme aposta na atual maré de comédias escancaradas do cinema brasileiro que a critica odeia e o público, em muitos casos, gosta. A fórmula é a mesma: no início, muitos gritos e histerismo. No meio, piadas envolvendo sexo e órgãos genitais. E um pouco mais para o final, uma tentativa ingênua de deixar alguma lição de moral. Tudo com um humor rasteiro e, se possível, a chancela da Globo Filmes (neste caso, foi possível, sim).
Coproduzido com a Espanha, o filme tenta abertamente beber na fonte da fase escrachada de Pedro Almodóvar, mimetizando do diretor espanhol até a berrante e ultracolorida direção de arte e fotografia que ele usava. Tenta. O elenco não faz feio, pelo contrário, mas falta um bom texto e acima de tudo alguma sutileza para que o resultado honre, pelo menos em parte, o cineasta que o inspirou.
O que se viu na plateia de Paulínia foi um microcosmo do que costuma acontecer pelos cinemas do pais: os críticos olhando no relógio, torcendo para que a tortura terminasse logo, e o público gargalhando, como se dizia antigamente, “às bandeiras desfraldadas”.
“Onde Está a Felicidade” foi três vezes aplaudido em cena aberta durante sua exibição de ontem, e ovacionado no final. Quem achar que Ricelli, ao conquistar o público desta forma, está errado, que atire a primeira crítica.
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Celso Sabadin viajou a Paulínia a convite da organização do evento.

