ENCANTADOR, “O PALHAÇO”, É OVACIONADO EM PAULÍNIA.
Filme de Selton Mello é aplaudido de pé em Paulínia.
Por Celso Sabadin
Foi uma noite agitada em Paulínia. Horas antes do início da projeção do aguardado “O Palhaço”, uma pequena multidão já se concentrava em frente ao Teatro Municipal da cidade, à espera do novo filme estrelado e dirigido por Selton Mello. Mas a espera não seria pequena. Faltavam ainda as projeções dos curtas da noite, dos micrometragens (máximo de 3 minutos) participantes do evento Celucine (um festival de filmes para celulares, vejam só!) e a exibição do emocionante documentário “Uma Longa Viagem”.
Com o excesso de gente, houve um princípio de tumulto. Nada grave, pois os ânimos foram acalmados pelo bom senso conjunto de Emerson Alves – Secretário de Cultura de Paulínia e diretor do Festival – e de Rodrigo Fante, da Imagem, a distribuidora do filme, que garantiu “quantas sessões extras sejam necessárias” para atender ao público que não conseguiu entrar.
A tensão gerada pela espera foi rapidamente dissipada assim que as primeiras imagens e os primeiros sons de “O Palhaço” invadiram a tela e as caixas acústicas do cinema. Da cena inicial aos créditos finais, o filme é uma encantadora preciosidade. Além de dirigir, Selton faz o papel de Benjamin, mais conhecido como o palhaço Pangaré de um circo mambembe significativamente batizado de “Esperança”. Ou seja, tanto na tela como na vida real, além de carregar o difícil fardo de fazer rir, Selton/Benjamin/Pangaré também administra o negócio. Que, nesta ficção, passa de pai para filho. Um pai também palhaço, vivido por Paulo José, numa interpretação que deveria ser assistida de joelhos por todos os presentes.
Pangaré é um palhaço estressado. Não apenas não se sente à vontade no picadeiro como também não consegue tirar da cabeça as reivindicações de sua trupe, tais como um ventilador e um sutiã tamanho gigante. Seu incômodo com a vida gera no filme um humor arrebatadoramente cruel, refinado, sarcástico, e não raramente non-sense. Um jeito de fazer rir e pensar que remete às comédias sociais do leste europeu. É isso: “O Palhaço” tem ares de cinema romeno. Mas com afetividade brasileira.
Tudo no filme é caprichado. A direção de arte cria com talento o clima ao mesmo tempo onírico e despojado do pequeno circo que perambula por um Brasil empoeirado. A fotografia dá tons pastéis amarelado à trama, enquanto a trilha une escancarados sopros com ares de banda a divertidas canções bregas dos anos 70, época em que a ação de se situa. De quebra, proporciona ao ator/cantor Moacyr Franco, prestes a completar 75 anos, a melhor interpretação de sua carreira, aplaudida em cena aberta.
Ao final da projeção, a platéia veio abaixo e aplaudiu de pé.
Antes da exibição, no palco do cinema, Selton Mello havia dito que esperava que a delicadeza de ”O Palhaço” se espalhasse por todos os presentes, “como uma coceira”, em suas palavras. A julgar pela reação do púbico, todos estão se coçando até agora.
Saiba mais sobre o Festival em www.culturapaulinia.com.br
Celso Sabadin viajou a Paulínia a convite da organização do evento.

