FESTIVAL TRAZ A SÃO PAULO O NOVO CINEMA LATINO-AMERICANO
Agendada para o período de 11 a 18 de julho, a oitava edição do Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo coloca em foco os destaques da produção mais recente feita na região, incluindo vários títulos inéditos no Brasil, além de promover homenagens e organizar encontros e debates. A programação é inteiramente gratuita e acontece no Memorial da América Latina, Cinesesc, Cinemateca Brasileira, Cinusp Paulo Emílio e Cinusp Maria Antonia.
Filmes recentes de 13 países estão na seção Contemporâneos, com destaque para “Amor Crônico”, do cubano Jorge Perugorría, um divertido e animado road movie que acompanha a cantora Cucu Dia Diamantes em seu retorno a Cuba; a grande sensação do cinema paraguaio “7 Caixas Paraguayas”, de Juan Carlos Maneglia; o longa uruguaio de animação “AninA”, que conta com voz do ator Cesar Troncoso (da telenovela “Flor do Caribe” e do longa “Hoje”, de Tata Amaral); o multipremiado “Tanta Água”, das uruguaias Ana Guevara e Leticia Jorge; e os argentinos “Caíto”, produzido por Pablo Trapero e dirigido por Guillermo Pfenning, e o badalado “Barroco!”, Estanislao Buisel, em première internacional.
Títulos brasileiros fazem sua estreia no festival, como “New Gaza”, longa de estreia de Rita Martins Tragtenberg, baseado em Jacó Guinsburg; “A Moda é Viola”, de Reinaldo Volpato, sobre o universo da moda caipira de raiz; e “Jardim Europa”, no qual o diretor Mauro Baptista Veddia aborda uma família decadente moradora no famoso bairro rico paulistano. Fazem sua primeira exibição em São Paulo o grande premiado na Mostra de Tiradentes 2013 “Os Dias Com Ele”, de Maria Clara Escobar; “Mazzaropi”, de Celso Sabadin, um tributo ao maior cômico do cinema brasileiro; o ousado “Doce Amianto”, dos cearenses Guto Parente e Uirá dos Reis; e “Entre Vales”, de Philippe Barcinski, estrelado por Ângelo Antônio.
O festival presta homenagem a dois nomes de referência na difusão do cinema latino-americano: o brasileiro José Carlos Avellar e o uruguaio Manuel Martínez Carril. Ambos elaboraram uma retrospectiva com filmes relevantes da cinematografia da região. Entre os escolhidos estão clássicos como o uruguaio, “A História Quase Verdadeira de Pepita, A Pistoleira”, de Beatriz Flores Silva; os argentinos “A Raiva”, de Albertina Carri, e “Tangos, O Exílio de Gardel”, de Fernando Solanas; os mexicanos “Do Esquecimento à Falta de Lembrança”, de Juan Carlos Rulfo, “Cobrador”, de Paul Leduc; e “A Vida é Assim”, de Arturo Ripstein; os brasileiros “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, de Glauber Rocha, e “Terra Estrangeira”, de Walter Salles e Daniela Thomas. Completam a mostra o peruano “Dias de Santiago”, de Josué Mendes; o chileno “Nostalgia da Luz”, de Patrício Guzmán; e o “Um Tigre de Papel”, de Luis Ospina.
Outro homenageado em 2013 é o cineasta baiano Guido Araújo, idealizador e responsável pela Jornada de Cinema da Bahia, evento que durante 40 edições anuais desempenhou papel estrutural na afirmação do cinema baiano e do Nordeste. Três documentários de Araújo são exibidos na programação: “Lambada em Porto Seguro”, “Feira da Banana” e “Festa de São João no Interior da Bahia”.
Uma projeção especial ao ar livre celebrando os 100 anos do movimento cineclubista internacional traz o filme “A Comuna”, realizado pelo Cinema do Povo, o o primeiro cineclube documentado da história, acompanhado de performance musical ao vivo do projeto Bloco Afro Ilú Oba De Min.
Já os 40 anos da ABD – Associação Brasileira de Documentaristas e Curtas-Metragistas merecem uma retrospectiva com curtas e longas brasileiros feitos a partir dos anos 1970, o “Encontro de Coletivos de Audiovisual”, o debate “Cinema e Luta de Classes – Debate com Coletivos Audiovisuais” e a “1ª Consultoria de Projetos”.
A programação do 8º Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo apresenta ainda a Mostra de Escolas de Cinema Ciba-Cilect, com 36 curtas e médias-metragens de graduação das mais importantes instituições do gênero; os quatro recentes títulos do programa Telefilmes Cultura e uma edição especial do novo programa “Contraplano”, do canal SescTV; e uma série de encontros e debates. Está prevista a presença de 26 convidados internacionais.
A curadoria do 8º Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo é assinada por João Batista de Andrade, Felipe Macedo, Jurandir Müller e Francisco Cesar Filho. Uma realização da Secretaria de Estado da Cultura e do Memorial da América Latina, o evento é organizado pela Associação do Audiovisual e tem patrocínio da Sabesp – Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo, através da Lei Federal de Incentivo à Cultura, e correalização do Sesc São Paulo. São parceiros da iniciativa o Ministério das Relações Exteriores do Brasil, Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária da USP, Cinemateca Brasileira, Sociedade Amigos da Cinemateca e o Cineclube Latino-Americano.
O website do festival encontra-se no endereço www.memorial.org.br.
DADOS SOBRE OS FILMES E ATIVIDADES PARALELAS
*** Contemporâneos
Dirigido pelo famoso ator cubano Jorge Perugorría (protagonista do filme indicado ao Oscar de “Morango e Chocolate”, de 1993), “Amor Crônico” (Cuba, 2012) acompanha a exuberante cantora cubana radicada em Nova York, Cucu Diamantes, em sua turnê por Cuba. O filme intercala filmagens de apresentações musicais ao vivo com a narrativa ficcional de uma história de amor. O resultado é uma vigorosa exibição do estilo glamuroso da atuação de Cucu Diamantes, com uma animada trilha sonora latina e um tempero cômico. Um road movie e, ao mesmo tempo, um retrato original de uma artista cubana que retorna às suas raízes, o filme é inédito no Brasil. Cucu Diamantes acompanha as projeções do filme em São Paulo acompanhado pelo produtor do longa Andrés Levin, músico vencedor do prêmio Grammy e colaborador de artistas e grupos como David Byrne, Orishas e Marisa Monte.
Recém-eleito melhor filme no Festival Internacional de Brasíla, “7 Caixas Paraguayas” (Paraguai, 2012), de Juan Carlos Maneglia, é o longa nacional mais assistido da história daquele país. Em ritmo vertiginoso, acompanha um carreteiro de 17 anos no populoso Mercado 4, de Assunção, que se imagina famoso e admirado na televisão de uma loja de DVDs. Porém, o mundo do mercado é hostil, competitivo e há milhares como ele esperando levar as compras dos clientes em troca de uma pequena remuneração.
O longa de animação inédito no Brasil “AninA” (Uruguai/Colômbia, 2013), tem despertado entusiasmo no circuito internacional por sua beleza especial. O filme combina o movimento dos personagens com fundos dignos de livros ilustrados infantis, alcançando resultado de sabor artesanal. O ator Cesar Troncoso (da telenovela “Flor do Caribe” e do longa “Hoje”, de Tata Amaral) empresta sua voz ao personagem pai da protagonista. Esta, uma garota de Montevidéu, vive dias de especial tensão e perguntas após ser suspensa da escola em que estuda. O diretor do longa, Alfredo Soderguit, também tem presença confirmada em São Paulo.,
Uma comédia sobre relações familiares e afetivas a partir do ponto de vista de uma adolescente em férias, “Tanta Água” (Uruguai, 2013), de Ana Guevara e Leticia Jorge, tem causado sensação no circuito internacional de festivais: obra que conquistou o prêmio da crítica em Cartagena de Indias (Colômbia), o prêmio de melhor obra de diretor estreante em Guadalajara (México) e o grande prêmio do júri em Miami (EUA). Além das sessões para o público do 8º Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo, “Tanta Água” é também atração da Sessão Inclusiva Sabesp / Adeva – Associação de Deficientes Visuais e Amigos, voltada para portadores de deficiências visuais, que acontece no Cine Sabesp no dia 17/07, quarta-feira, às 14h30.
A diretora Ana Guevara acompanha as projeções do filme em São Paulo e participa do projeto Cinema da Vela, do Cinesesc, no dia 15/07, segunda-feira, às 19h00, ao lado do argentino Guillermo Pfenning, diretor de “Caito” e com mediação do jornalista Cunha Jr.
Produzido por Pablo Trapero (de “Mundo Grua”, 1999) e inédito no Brasil, “Caíto” (Argentina, 2012) conta a relação de amor entre dois irmãos: Guillermo é ator e emigrou para Buenos Aires, Luis ‘Caíto’ ficou em Marcos Juárez, Córdoba. Guillermo volta como diretor a sua cidade natal, com atores, câmeras, luzes e toda uma equipe técnica para fazer um registro documental do dia a dia de seu irmão. Ao observá-lo em sua relação com o pai, a fisioterapeuta, as mulheres, os amigos, descobre em Caíto um profundo desejo de ser pai. A partir desse momento, oferece a ele um relato de ficção para que seja o protagonista de sua história idílica. Os irmãos Guillermo e Luis ‘Caito’ Pfenning têm presença confirmada no 8º Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo.
Sensação no recente Festival de Cinema Independente de Buenos Aires, onde colheu elogios pelo ritmo de sua narrativa, “Barroco!” (Argentina, 2013) propõe um mergulho no universo dos livros, da música barroca e das histórias em quadrinhos. O enredo focaliza um jovem vendedor que começa a roubar livros de forma gratuita, enquando desenvolve uma fotonovela com um velho amigo. A exibição em São Paulo marca a première internacional da produção e conta com presença de seu diretor, o estreante Estanislao Buisel.
A vida e obra de Gabriel Figueroa (1907-1997), considerado o maior diretor de fotografia mexicano de todos os tempos e colaborador de mestres como Luis Buñuel, John Ford e John Huston (dirigido por este último, “A Noite do Iguana” foi indicado ao Oscar de melhor foto), está no centro de “Miradas Múltiplas – O Universo de Gabriel Figueroa” (México/França/Espanha, 2012), de Emílio Maillé. Além das imagens impressionantes criadas por Figuewroa, o filme traz depoimentes de fotógrafos consagrados, como Raoul Coutard, Vittorio Storaro e Giuseppe Rotuno. Diretor do sucesso colombiano “Rosario Tesouras” (2005), o diretor mexicano Emílio Maillé acompanha a projeção do filme durante o festival.
Selecionado para o Festival de Berlim e inédito no Brasil “Fora de Hora”,
(Argentina/Colômbia/Noruega, 2013), da diretora argentina estreante Barbara Sarasola-Day, focaliza um casal que vive nas montanhas ao noroeste do país e recebe um parente recém-saído da reabilitação. O fato de permanecerem os três juntos em um ambiente pequeno irá desestabilizar o casal e dará início a um triângulo amoroso entre as caçadas, as brigas de galo e a vida no campo. O argentino Federico Eibuszcyc, produtor de “Fora de Hora”, tem presença confirmada no festival.
A comédia dramática “A Chamada” (Equador/Argentina/Alemanha, 2012) aborda uma cidade caótica e um sistema educacional obsoleto que aprisionam mãe e filho em um mundo cada vez mais impessoal. Aurora recebe uma ligação do reitor do colégio de seu filho de 14 anos, para avisá-la sobre a decisão de expulsá-lo no último dia de aula. Na tentativa de chegar à escola de Nicolás, ela terá que enfrentar suas obrigações como publicitária, filha, irmã e mãe divorciada. O diretor do filme, o equatoriano David Nieto Wenzell, tem presença confirmada em São Paulo.
Lançado pelo Festival de Berlim e vencedor do prêmio de melhor documentário no Festival de Tolouse, “A Eterna Noite das Doze Luas” (Colômbia/Bolívia, 2013) aborda o longo período de isolamento em que permaneceu trancada uma menina indígena wayuu quando teve a primeira menstruação, quando foi submetida a rituais indígenas ancestrais próprios da sua cultura. A colombiana Priscila Padilla, diretora do longa, que é inédito no Brasil, acompanha a exibição do filme no 8º Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo.
Novo filme do guatemalteco Julio Hernández Cordón, diretor de “Gasolina” (2008) e “As Marimbas do Inferno” (2010), “Até O Sol Tem Manchas” (México/Guatemala, 2012) é inédito no Brasil e pratica uma estética de guerrilha, sendo todo filmado em um único ambiente e seus cenários desenhados nas paredes. Seu protagonista é um garoto com uma deficiência mental que leva nas costas a propaganda de um candidato presidencial que promete levar a Guatemala para seu primeiro mundial de futebol.
Também inédito no Brasil, “Céu Escuro” (Peru/Venezuela, 2012), foi eleito melhor filme de estreia peruano no Festival Latino-Americano de Lima e seu diretor Joel Calero tem presença confirmada em São Paulo. O enredo acompanha um fabricante de roupas que tem sua loja/ateliê em uma região da periferia de Lima. Um dia, chega à sua loja uma jovem atriz que encomenda a confecção do vestuário para sua obra de formatura. Esse encontro inesperado irá mudar suas vidas.
Em “Edifício Royal” (Colômbia/Venezuela/França, 2012), do diretor colombiano Iván Wild, uma mulher de certa idade e um zelador seguem obsessivamente os conselhos do médium da TV, enquanto um embalsamador entra em conflito com um cliente e precisa guardar um cadáver em sua sala, para horror de sua esposa. Ao mesmo tempo, uma mulher idosa, lutando para manter intactas as ilusões de seu marido, dá a ele uma foto de Tom Cruise em “Questão de Honra” (1992), o convencendo-o de que é seu filho. O filme é inédito no Brasil e sua projeção no Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo é acompanhada pelo produtor do filme, o argentino Raúl Bravo.
Longa de animação inédito no Brasil, “Rodencia e o Dente da Princesa” (Argentina/Peru, 2013), é a história de aventuras e amor do ratinho Edam, atrapalhado aprendiz de feiticeiro, e da bela e segura ratinha Brie. Juntos, eles terão que enfrentar os mais diversos perigos para obter o poder que é dado pelo dente de uma princesa humana e, assim, derrotar o exército de ferozes ratazanas comandado pelo malvado Rotex, que invade Rodencia, o pacifico reino dos ratinhos, para dominá-los e ficar com seu tesouro. Nescido em Buenos Aires e com presença confirmada no festival, o diretor David Bisbano assina os longas “B (corta)” (2000), “María y Juan (No Se Conocen y Simpatizan)” (2005) , e “Valentino y El Clan del Can” (2006).
As angústias de uma geração de jovens moradores na cidade de Guaiaquil, no Equador, é o tema de “Sem Outono, Sem Primavera” (Equador/Colômbia/França, 2012). Adotando uma narrativa não linear, o roteiro do filme promove conexões entre nove personagens, entre eles um estudante de direito que acredita na anarquia da imaginação, uma vendedora de balas que coleciona histórias de felicidade em um gravador e um trio que vive uma relação amorosa sem limites. O diretor Iván Mora Manzano é natural de Guaiaquil e seu filme de estreia, “Silencio Nuclear”, foi o primeiro curta equatoriano a ser apresentado no Festival de Veneza. Atriz de “Sem Sol, Sem Primavera”, Paulina Obrist tem presença confirmada no 8º Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo.
“Facas no Céu” (Peru/Bolívia, 2012), também inédito no Brasil, focaliza uma mulher por dez anos injustamente presa e, durante sua detenção, foi violentada, ficou grávida e teve uma filha, que desconhece sua origem, pois cresceu na casa da avó. Ao sair da prisão, ela tenta construir uma relação com sua filha e, ao mesmo tempo, levar a julgamento seus violadores. Mas esses dois objetivos entram em conflito. Com presença confirmada no festival, o diretor do filme Alberto “Chicho” Durant assina obras premiadas em festivais e exibidos internacionalmente, além de ter sido jurado no Sundance Festival e em diversos eventos internacionais.
*** Contemporâneos – Brasil
A representação brasileira no 8º Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo é composta por dez longas-metragens recentes, incluindo várias pré-estreias de títulos inéditos, como “New Gaza”, de Rita Martins Tragtenberg; “A Moda é Viola”, de Reinaldo Volpato; e “Jardim Europa”, de Mauro Baptista Vedia. Outras produções nacionais fazem sua primeira exibição em São Paulo: “Os Dias Com Ele”, de Maria Clara Escobar, “Mazzaropi”, de Celso Sabadin; “Entre Vales”, de Philippe Barcinski, e “Doce Amianto”, de Guto Parente e Uirá dos Reis.
“New Gaza” (2013), longa de estreia de Rita Martins Tragtenberg, é uma sátira baseada no texto “O Processo de Paz”, de Jacó Guinsburg, na qual um judeu ortodoxo comanda a fabricação (por bolivianos do bairro paulistano do Bom Retiro) de bandeiras de Israel e dos Estados Unidos para serem vendidas a manifestantes árabes, que as queimam em manifestações.
“A Moda é Viola” (2013), de Reinaldo Volpato (do longa “Abrasasas”, 1984) é um documentário sobre a moda caipira de raiz, sua estética e contexto sociocultural: as origens da música e do instrumento, os cantadores e poetas, e, principalmente, a moda caipira como manifestação oral-popular e sua realidade enquanto expressão etnocultural.
Estrelado por Fernanda Catani, Marcos Cesana, Helena Figueira, Ester Laccava e Laerte Mello, “Jardim Europa” (2013) é o primeiro longa-metragem do cineasta, diretor de teatro e roteirista uruguaio-brasileiro Mauro Baptista Veddia. O enredo aborda uma família decadente moradora no Jardim Europa que, apesar da falta de dinheiro, não abandonam o rico bairro paulistano.
Duplamente premiado na Mostra de Tiradentes 2013 (melhor filme pelo júri da crítica e pelo júri jovem), “Os Dias Com Ele” (2013) acompanha a jovem diretora Maria Clara Escobar em um mergulho no passado quase desconhecido de seu pai, Carlos Henrique Escobar. Ele, um intelectual, preso e torturado durante a ditadura militar brasileira (1964-1985), não fala sobre isso desde aquele tempo. Ela, uma filha em busca de sua identidade. As descobertas e frustrações ao acessar a memória de um homem e de uma parte da história que são raramente expostas.
“Mazzaropi” (2013), de Celso Sabadin, é um tributo a Amácio Mazzaropi (1912-1981), tido como o maior cômico do cinema brasileiro, protagonista de filmes de grande sucesso populasr, como “Sai da Frente” (1952), “Um Caipira em Bariloche” (1973), “Betão Ronca Ferro” (1971) e “Zé do Periquito” (1960). Mazzaropi foi o único artista que conseguiu ficar milionário fazendo cinema no Brasil, transformando em realidade o sonho da indústria cinematográfica nacional com produções populares que foram fenômeno de público por mais de três décadas.
Produção cearense dirigida por Guto Parente e Uirá dos Reis, “Doce Amianto” (2013) causou impacto na Mostra de Tiradentes por seu ousado tratamento estético, onde o excesso e o exagero dão o tom. A protagonista Amianto é uma travesti que vive isolada num mundo de fantasia habitado por seus delírios de incontida esperança, onde sua ingenuidade e sua melancolia convivem de mãos dadas.
“Entre Vales” (Brasil/Alemanha/Uruguai, 2012), de Philippe Barcinski (de “Não Por Acaso”, 2007) tem Ângelo Antônio no papel de um economista, pai de família que vive uma vida comum em casa e no trabalho até que uma série de perdas o leva a uma jornada de desapego.
O divertido “A Balada do Provisório” (2012), de André David Rodrigues, focaliza dois dias na vida de André Provisório, que “ganha uns trocados como detetive particular, aviãozinho e sedutor cara de pau”. No elenco estão Edson Zille, Clara Maria, Thiare Maia, Helena Ignez e Otávio III.
Com Leandra Leal, João Miguel, Júlio Andrade e André Ramiro no elenco, “Éden” (2012), de Bruno Safadi (“Meu Nome é Dindi”, 2007, e “Belair”, 2010) acompanha Karine, de 30 anos, grávida de oito meses, que perde seu marido assassinado. Ela e o irmão quase morrem, mas são salvos pelo Pastor Naldo da Igreja Evangélica do Éden. Karine carregará consigo o conflito de buscar a salvação na religião evangélica ou no nascimento do filho.
Recentemente eleito como melhor filme pela crítica no Festival de Moscou “A Memória Que Me Contam” (Brasil/Argentina/Chile, 2012), de Lúcia Murat (de “Brava Gente Brasileira”, 2000, e “Quase Dois Irmãos”, 2004) é um drama irônico sobre um grupo de amigos que resistiram à ditadura militar brasileira (1964-1985) e enfrentam, com seus filhos, o conflito entre o cotidiano de hoje e o passado quando um deles está morrendo. Bastante elogiado, o elenco do filme traz Franco Nero, Irene Rava che, Simone Spoladore, Clarisse Abujamra, Hamilton Vaz Pereira, Otávio Augusto e Zé Carlos Machado.
*** Prêmio Itamaraty Para o Cinema Sul-Americano
Filmes da seção Contemporâneos realizados em coprodução envolvendo pelo menos dois países da América do Sul concorrem ao Prêmio Itamaraty para o Cinema Sul-Americano. Iniciativa do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, a premiação confere R$ 90 mil ao vencedor, que é eleito por um júri internacional composto pela mexicana Andrea Stavenhagen, Diretora da Indústria do Festival de Guadalajara e Coordenadora do Morelia Lab; pelos alemães Gabor Greiner, Diretor de Aquisições da Films Boutique, e Henning Kamm, Diretor da DETAiLFILM; pelo produtor brasileiro Fabiano Gullane; e pelo crítico argentino Diego Lerer, do comitê de seleção do Festival de Roma.
Uma mesa discute o tema coprodução no dia 18/07, quinta-feira, às 10h30, no Memorial da América Latina. Dela participam Andrea Stavenhagen, Gabor Greiner, Henning Kamm e Fabiano Gullane, com mediação de Paula Alves de Souza, da Divisão de Promoção do Audiovisual do Ministério das Relações Exteriores
*** Homenagem a José Carlos Avellar e Manuel Martinez Carril
Duas personalidades cujas (múltiplas) atuações são referência para o cinema da América Latina no campo da difusão e reflexão, o brasileiro José Carlos Avellar e o uruguaio Manuel Martínez Carril, são homenageadas nesta oitava edição do Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo. Ambos receberam do evento carta branca para programar uma retrospectiva de filmes produzidos na região e elegeram doze obras produzidas entre 1963 e 2010 na Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, México, Peru e Uruguai.
Colaborador do festival deste sua primeira edição, José Carlos Avellar é autor de importantes estudos sobre o cinema, destacando-se o fundamental “A Ponte Clandestina – Teorias de Cinema na América Latina”, de 1995. Já o papel de Manuel Martínez Carril à frente da Cinemateca Uruguaia consolidou a instituição como um verdadeiro oásis dos amantes do cinema, seja na área de preservação (seu acervo conta com cerca de 12 mil títulos), formação (mantém uma escola de cinema) e difusão (opera quatro salas de exibição e organiza um festival internacional há mais de três décadas).
Na programação está um marco do recente cinema uruguaio, “A História Quase Verdadeira de Pepita, A Pistoleira”, dirigido em 1993 por Beatriz Flores Silva e que acompanha os assaltos praticados por uma mulher em busca de dinheiro para viver e criar sua filha pequena, depois que seu marido é internado em um hospital psiquiátrico.
A Argentina se faz presente com dois títulos. “A Raiva” (2008) e “Tangos, O Exílio de Gardel” (19875). O primeiro, dirigido por Albertina Carri, uma das figuras que consolidou o conceito do Novo Cinema Argentino, foi definido pela crítica como “extraordinário e brutal”. O enredo focaliza o mundo rural sem qualquer visão romântica e tem como protagonistas uma menina muda e um adolescente que tenta protegê-la. Já “Tangos, O Exílio de Gardel”, uma história de desenraizamento passado entre exilados argentinos em Paris, rendeu a seu diretor Fernando Solanas o Grande Prêmio Especial no festival de Veneza e o Primeiro Prêmio no Festival de Havana.
Do México foram selecionados três longas: “A Vida é Assim” (Arturo Ripstein, 2000), “Cobrador” (Paul Leduc, 2006) e “Do Esquecimento à Falta de Lembrança” (Juan Carlos Rulfo, 1999). Este último, um ensaio fílmico sobre a fragilidade da memória premiado no Festival de Havana, traça um retrato do escritor mexicano Juan Rulfo (1918-1986), não focalizando o autor e sua obra, mas sobretudo o homem, visto por aqueles que o conheceram. Ao mesmo tempo, em ensaio fílmico sobre a fragilidade da memória. Também premiado em Havana, “Cobrador” é baseado em texto de Rubem Fonseca e trata da violência presente no cotidiano das pessoas. Estrelado por Arcelia Ramirez, que tem presença confirmada no festival, “A Vida é Assim” é baseado na tragédia grega “Medea” e foi apontada como a obra mais ousada do veterano diretor Ripstein, tendo vencido o prêmio da crítica e de melhor atriz no Festival de Havana.
Três longas brasileiros foram incluídas na seleção da dupla Avellar/Carril: “Deus e o Diabo na Terra do Sol” (Glauber Rocha, 1964), “Vidas Secas” (Nelson Pereira dos Santos, 1963) e “Terra Estrangeira” (Walter Salles e Daniela Thomas, 1995). Os dois primeiros são considerados marcos do movimento Cinema Novo. Selecionado para o Festival de Cannes, “Deus e o Diabo na Terra do Sol” criou um dos personagens mais famosos do cinema nacional, o matador de cangaceiros Antonio das Mortes (interpretado por Othon Bastos). Já “Vidas Secas” é baseado no romance homônimo de Graciliano Ramos (1892-1953), mostra uma família de retirantes que atravessa o sertão nordestino em busca de meios para sobreviver e foi o único filme brasileiro a ser indicado pelo British Film Institute como uma das 360 obras fundamentais em uma cinemateca. Em “Terra Estrangeira” o enredo gira em torno da solidão vivida por imigrantes em Portugal no início dos anos 1990.
Comparado a “Taxi Driver – Motorista de Táxi” (Martin Scorsese, 1976), “Dias de Santiago” (2004), de Josué Mendes, é considerado como uma das películas peruanas mais importantes da década de 2000. Numa paisagem urbana hostil e sórdida, um ex-soldado tenta adaptar-se à vida civil, depois de ter lutado contra a subversão terrorista e o narcotráfico em seu próprio país e na guerra com o Equador.
Lançado em Cannes e premiado em Toronto, Biarritz e Bruxelas, entre outros festivais, “Nostalgia da Luz” (Patrício Guzmán, 2010), passa-se no deserto de Atacama, no Chile, onde astrônomos se reúnem no para observar as estrelas. É também um lugar onde o calor escaldante do sol mantém intactos os restos humanos: o das múmias, exploradores e mineiros. Mas também os restos dos prisioneiros políticos da ditadura. Enquanto os astrônomos examinam as mais distantes galáxias em busca de possível vida extraterrestre, ao pé dos observatórios, mulheres escavam o chão do deserto à procura de seus parentes desaparecidos…
O colombiano “Um Tigre de Papel” (Luis Ospina, 2007) é uma colagem que justapõe arte e política, documentário e ficção. A obra aborda a vida cheia de aventuras do artista Pedro Manrique Figueroa e, simultaneamente, percorre a história do país desde 1934 até 1981, ano de seu misterioso desaparimento.
*** Homenagem a Guido Araújo / Jornada de Cinema da Bahia
O cineasta baiano Guido Araújo, outro homenageado pelo 8º Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo, é nome de referência para o cinema brasileiro e internacional. Idealizador e responsável pela Jornada de Cinema da Bahia, transformou o evento no acontecimento cinematográfico voltado para o cinema cultural mais importante do Brasil. A Jornada desempenhou papel estrutural na afirmação do cinema baiano e do Nordeste e sediou por décadas o encontro mais importante para o curta-metragem e para o documentário brasileiros (a ABD foi criada na segunda edição do evento). Além das 40 edições da Jornada, realizadas de 1972 a 2011, também são relevantes também os serviços prestados por Guido Araújo em suas atuações como cineclubista professor e cineasta.
Prestes a completar 80 anos de vida (aniversaria em 12/08), Gudo Araújo recebe o Troféu Fundação Memorial da América Latina na cerimônia de abertura do festival, dia 11 de julho, quinta-feira, às 20h30, quando é projetado seu curta-metragem “Lambada em Porto Seguro” (1990). Dois outros documentários por ele dirigidos estão na programação: “Feira da Banana” (1973), sobre os aspectos geoeconômicos da cultura da banana na região do Recôncavo Baiano, sua comercialização e transporte, e “Festa de São João no Interior da Bahia” (1977), sobre a beleza e a tradição dos festejos juninos no Nordeste brasileiro.
Os homenageados Guido Araújo e José Carlos Avellar conversam com o público em debate previsto para o dia 13/07, sábado, às 17h00, no Memorial da América Latina. A mediação é da cineasta Tatá Amaral.
*** Mostra Escolas de Cinema Ciba-Cilect
Seção tradicional do Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo, a Mostra de Escolas de Cinema Ciba-Cilect reúne 36 curtas e médias-metragens de graduação das mais importantes instituições do gênero. Trata-se de uma competição organizada em parceria com a Ciba, regional ibero-americana do Cilect – Centre International de Laison des Écoles de Cinéma et Télévision, com o objetivo de revelar os talentos cinematográficos latino-americanos. Estão representadas em 2013 as seguintes escolas:
• Centro de Capacitación Cinematográfica – CCC (México)
• Centro Universitario de Estudios Cinematográficos – CUEC-UNAM (México)
• Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo – ECA/USP (Brasil)
• Escuela de Cine del Uruguay – ECU (Uruguai)
• Escuela Internacional de Cine y TV – EICTV (Cuba)
• Escuela Nacional de Experimentación y Realización Cinematográfica – ENERC (Argentina)
• Fundação Armando Álvares Penteado – FAAP (Brasil)
• Instituto Superior Tecnológico de Cine y Actuación – INCINE (equador)
• Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro – PUC-Rio (Brasil)
• Universidad de Buenos Aires – UBA (Argentina)
• Universidad del Cine – UCINE (Argentina)
• Universidad Iberoamericana – UIA (México)
• Universidade Federal Fluminense – UFF (Brasil)
O vencedor é apontado por um júri formado pelo produtor Matias Mariani (sócio da Primo Filmes) e pelos diretores Juliana Rojas (“Trabalhar Cansa”) e Michael Wahmann (“Avanti Popolo”). Responsável pela Ciba-Cilect, o argentino Silvio Fischbein é um dos convidados do Festival. Os títulos selecionados são os seguintes:
“A Linguagem das Flores” – Magdalena Diez (Argentina, 2012)
“A Música Silenciada” – Andrea Oliva (México, 2013)
“As Montanhas Invisíveis” – Angel Linares (México, 2013)
“Assassinato em Junín” – Andrew Sala (Argentina, 2012)
“Atrizes” – Daniel Pech (Brasil, 2013)
“Bom Dia, Equador” – Andrea Arrízaga (Equador, 2012)
“Caminhando as Noites” – Cristina Esquerra (México, 2012)
“Circuito Fechado” – Nicol Alexander (Brasil, 2012)
“Contra Fábula de Uma Menina Dissecada” – Alejandro Iglesias Mendizábal (México, 2012)
“Corpo Vazio” – Cintia Nakashima (Brasil, 2013)
“De Volta à Vida” – Leslie Montero (México, 2012)
“Éguas e Maritacas” – Natalia Garagiola (Argentina, 2012)
“Epecuén” – Verena Kuri e Sofia Brockenshire (Argentina, 2012)
“Espelho Negro” – Lillah Halla (Cuba, 2012)
“Eva” – Anna Guida (Brasil, 2013)
“Hey You” – Leonardo Moreno (Equador, 2013)
“Intervalos” – Facundo Hidalgo (Argentina, 2013)
“Juan Lives” – Rodrigo Gazzano (Brasil, 2012)
“Juana” – Angela Prince (México, 2012)
“Madeira” – Daniel Kvitko (Cuba, 2012)
“Mulheres no Funk” – Luisa Nolasco (Brasil, 2013)
“Nero” – Carlos Carrasco (Equador, 2012)
“O Capitão” – Nicole Vanden Broeck (México, 2012)
“O Rei da Montanha de Ouro” – Thaissa Resek (Brasil, 2012)
“O Roubo da Noiva” – Miguel Angel Sanchez (México, 2013)
“O Santuário” – Marco Bentancor (Uruguai, 2013)
“Oslo” – Luis Ernesto Doñas (Cuba, 2012)
“Para Poder Parar o Tempo” – Marcelo Lee (Brasil, 2013)
“Passagem” – Rubel Brisolla (Brasil, 2013)
“Pescador de Marcéus” – Pedro Moscalcoff (Brasil, 2013)
“Ramos Gerais” – Julia Baglietto (Argentina, 2013)
“Sergio Ramos” – Juan Fernández Gebauer (Argentina, 2012)
“Suda” – Carmen Martinez (México, 2012)
“Temporada” – Luna Grimberg (Brasil, 2012)
“Tinha Tanto Medo” – Martina López Robol (Argentina, 2013)
“VHS” – Amparo Gonzalez Aguilar (Argentina, 2012)
*** Centenário do Cineclubismo
A comemoração dos 100 anos do movimento cineclubista internacional ganha espaço na grade do festival, em uma parceria com o Cineclube Latino-Americano.
Em 1913 foi fundado o primeiro cineclube amplamente documentado: o Cinema do Povo. Sob a forma de cooperativa, foi criado com o objetivo de produzir um novo modelo de cinema, que representasse os interesses das grandes maiorias. Seu mote era: “Divertir, instruir, emancipar”. Estabelecido em Paris, o Cinema do Povo tinha vínculos estreitos com o meio operário e anarquista, e o modelo repercutiu em diversos países.
Para celebrar a data, ganha projeção ao ar livre, no dia 14/07 (domingo), às 18h00, no Memorial da América Latina, “A Comuna”, produção de 1914 da cooperativa Cinema do Povo que aborda episódios da proclamação da Comuna de Paris, considerado o primeiro governo operário da história, fundado em 1871 na capital francesa por ocasião da resistência popular ante a invasão por parte do Reino da Prússia. Seu diretor, Armand Guerra, um espanhol de ideologia anarquista cujo nome verdadeiro é José Estívalis Cabo, foi também ativo escritor e jornalista.
A projeção do filme, que é mudo, é acompanhada de trilha sonora executada ao vivo pelo projeto Bloco Afro Ilú Oba De Min, que desenvolve pesquisa sobre matrizes africanas e afro-brasileiras e objetiva a inserção de mulheres, crianças e adolescentes na arte, através do conhecimento das manifestações culturais tradicionais como o carnaval e no estudo das contribuições e influências africanas na cultura brasileira.
*** Cinema / TV
As relações entre o cinema e a televisão são tema sempre presente nas edições do Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo, em projeções e debates. Em 2013, ganham destaque no festival dois importantes projetos: a quarta edição do programa Telefilmes Cultura, realizado em parceria com a Secretaria de Estado da Cultura, e a série “Contraplano”, do canal SescTV.
Com o tema “A Música na Cidade”, quatro títulos da série Telefilmes Cultura rodados em vídeo de alta definição mostram como a música faz a diferença na vida de personagens de realidades distintas. Os títulos são assinados por diretores de destaque do cinema contemporâneo brasileiro: “E Além de Tudo Me Deixou Mudo o Violão”, por Anna Muylaert; “A Ópera do Cemitério”, por Juliana Rojas; “Invasores”, por Marcelo Toledo; e “Vitrola”, por Charly Braun.
Já “Contraplano” é uma série de programas de debates em que questões universais e diversas são trazidas por meio do cinema nacional e latino-americano, organizadas em quatro eixos temáticos: poder, cultura, comportamento e sociedade. A série tem estreia no segundo semestre de 2013 e para o festival foi preparada uma sessão especial (16/07, terça-feira, às 20h00, no Cinesesc) composta por um bloco de cada um dos eixos temáticos, ilustrados por trechos de filmes exibidos nas edições do festival.
*** ABD 40 Anos
Fundada em 1973 por nomes como Thomaz Farkas, Aloysio Raulino, Guido Araújo e Sérgio Santeiro, a ABD – Associação Brasileira de Documentaristas e Curtas-Metragistas é a mais antiga entidade de realizadores do país, tendo se constituído em um espaço de formação para diversos cineastas e gestores culturais que hoje estão à frente dos rumos do audiovisual brasileiro. Uma programação especial comemorativa foi preparada em parceria com sua seção paulista, a ABD-SP e é composta por uma retrospectiva histórica, mesa de debate,
Na mostra de filmes estão reunimos algumas produções marcantes de diferentes períodos da trajetória da ABD, organizadas cronologicamente. Assim, os anos 1970 estão representados pelos curtas “Feira da Banana” (de Guido Araújo, 1973), “Ismael Nery” (Sergio Santeiro, 1979), “Migrantes” (João Batista de Andrade, 1972) e “Rocinha Brasil 1977” (Sergio Peo, 1977).
Da década de 1980 foi escolhido o único longa-metragem dirigido por Aloysio Raulino, recentemente falecido: “Noites Paraguayas” (1982), uma abordagem da trajetória de imigrantes que chegam a São Paulo. É acompanhado pelo curta “Chapeleiros” (Adrian Cooper, 1983), premiado nos festivais de Havana e Oberhausen.
Os anos 1990 trazem o curta vencedor do Festival de Brasília “Rota ABC” (Francisco Cesar Filho, 1991) e o longa “O Sertão das Memórias” (José Araújo, 1997), premiado como melhor filme latino-americano no Sundance Festival.
O longa mineiro “Acidente” (Cao Guimarães e Pablo Lobato, 2008) e o curta paraibano “Sweet Karolyne” (Ana Bárbara Ramos, 2009) marcam a regionalização da produção dos anos 2000.
A realização regional é traço também presente na década seguinte, como comprovam o longa do Distrito Federal “A Cidade é Uma Só?” (Adirley Queirós, 2012), vencedor do prêmio da crítica da Mostra de Tiradentes, e o curta pernambucano “A Onda Traz, o Vento Leva” (Gabriel Mascaro, 2012), contemplado com o prêmio especial do júri no Festival de Oberhausen..
ABD – 40 Anos promove ainda o “Encontro de Coletivos de Audiovisual”, reunindo os coletivos paulistas para discutir as demandas desses grupos que vêm mudando a cara da produção independente no país. Esse encontro será aberto pelo debate “Cinema e Luta de Classes – Debate com Coletivos Audiovisuais” (agendado para o dia 12/07, sexta-feira, às 19h30, no Memorial da América Latina), com participação de Adirley Queiroz (do Coletivo de Cinema em Ceilândia), Diogo Noventa (Companhia Estudo de Cena, Coletivo de Vídeo Popular e Coletivo Tela Suja Filmes), Ana Chã (Brigada de Audiovisual da Via Campesina e do Coletivo de Cultura do MST) e Thiago Mendonça, mediador (ABD-SP e Coletivo Zagaia).
A programação inclui ainda a “1ª Consultoria de Projetos”, para a qual foram inscritas novas propostas de curtas e longas-metragens. Os projetos cinematográficos são discutidos por profissionais de diversas áreas do exercício audiovisual, como direção, roteiro, produção, distribuição, som e fotografia. Os dez selecionados são:
“A Garota Punk” – longa de Luis Carlos Soares;
“A Vida Secreta do Meu Sonho” – curta de Eli Ramos;
“Desenhe Seu Lugar, Eu Desenho Você” – média-metragem de Denison Carneiro;
“Enterprise – Uma Viagem ao Útero da Mãe-Terra” – curta de Rafael Aidar (direção);
“Epifania” – curta de Rogerio Pixote;
“Espólio da Cidade” – média-metragem de Paulo Murilo Abreu Fonseca;
“Fôlego” – longa de Renato Sircilli;
“Nau Insensata” – curta de Cristiano Sidoti;
“Tamoio – A Cidade de Açúcar” – longa de Heloisa Bonfanti.
*** Cineclube Latino-Americano
Durante o Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo, uma programação de filmes clássicos da região é promovida pelo Cineclube Latino-Americano, do Memorial da América Latina. Estão incluídos “79 Primaveras” (Cuba, 1967), de Santiago Álvarez; “A Hora dos Fornos” (Argentina, 1968), de Fernando Solanas e Octavio Getino; “A Hora e a Vez de Augusto Matraga” (Brasil, 1965), de Roberto Santos; “O Chacal de Nahueltoro” (Chile, 1969), de Miguel Littín; “Os Fuzis” (Brasil, 1964), de Ruy Guerra; e “Yamar Maliku, O Sangue do Condor” (Bolívia, 1969), de Jorge Sanjinéz.
Serviço:
8º Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo
www.memorial.org.br
11 a 18 de julho de 2013
Entrada franca
* Memorial da América Latina – Auditório Simón Bolívar (876 lugares) + Cineclube Latino-Americano (70 lugares)
Av Auro S. de Moura Andrade 664, Barra Funda – (11) 3823.4608
* Cinesesc (329 lugares) – Rua Augusta 2075, Cerqueira Cesar – (11) 3087.0500
* Cinemateca Brasileira / Sala Cinemateca BNDES (210 lugares) – Largo Senador Raul Cardoso 207, Vila Clementino – (11) 3512.6111 r 215
* Cinusp Paulo Emílio (100 lugares) – Rua do Anfiteatro 181 favo 4, Cidade Universitária – (11) 3091.3540
* Cinusp Maria Antonia (70 lugares) – Rua Maria Antonia 294, Consolação – (11) 3123.5200
realização: Secretaria de Estado da Cultura e Memorial da América Latina
organização: Associação do Audiovisual
patrocínio: Sabesp – Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo, através da Lei Federal de Incentivo à Cultura
correalização: Sesc São Paulo
parcerias: Ministério das Relações Exteriores do Brasil, Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária da USP, Cinemateca Brasileira, Sociedade Amigos da Cinemateca e Cineclube Latino-Americano

