LONGA “UM HOMEM SÓ” E CURTA “DA LICENÇA DE CONTAR” SE DESTACAM NO ENCERRAMENTO DE GRAMADO.
Por Celso Sabadin, de Gramado.
A Mostra Competitiva de Longas Brasileiros do 43º Festival de Cinema de Gramado foi encerrada na noite desta sexta-feira (14/08) de uma maneira, no mínimo, curiosa: o filme “Um Homem Só” intrigou a plateia com um roteiro esperto que mistura, de maneira inusitada, romance, aventura, drama, comédia, mistério, suspense e – por que não – uma pitada de ficção científica. Pretensão? Longe disso. Com roteiro e direção da estreante em longas Claudia Jovin, “Um Homem Só” mistura todos estes gêneros de maneira intrigante e inteligente, ao mesmo tempo em que entrega uma história ágil que discute temas como a morte e o que fazemos da vida.
Não estranhe, mas a trama fala de Arnaldo (Vladimir Brichta, ótimo), um homem descontente com a vida que leva, que certo dia descobre ser possível encomendar numa clínica clandestina um clone de si próprio. Com seu duplo assumindo o lado aborrecido da existência, Arnaldo estaria então totalmente livre para aproveitar o lado gostoso da vida. Algo assim como uma versão adulta de “O Menino no Espelho”, mas com desdobramentos e resoluções que seguem caminhos diferenciados e até surpreendentes. Além de Brichta, o elenco traz também Mariana Ximenes (excelente) , Otávio Muller, Milhem Cortaz, Cadu Fávero, Ingrid Guimarães e Eliane Giardini, ente outros.
Curta, finalmente
Quem acompanhou durante toda esta semana a cobertura do Planeta Tela para o Festival de Gramado provavelmente percebeu que não abordamos os curtas-metragens. Nada pessoal. Apenas um desânimo provocado pela falta de inventividade da grande maioria dos curtas em competição, que se limitaram a repetir fórmulas e pouco ofereceram nos quesitos inventividade e, principalmente, ousadia. Se a curadoria dos longas brasileiros foi bem satisfatória, e a dos longas latinos foi ótima, a dos curtas foi sonolenta.
Felizmente, já no apagar das luzes do evento, como diziam os antigos locutores esportivos, surge um curta vibrante e digno de aplausos: “Dá Licença de Contar”, roteirizado e dirigido por Pedro Serrano. Trata-se de uma deliciosa recriação do universo de Adoniran Barbosa, onde os personagens musicais Mato Grosso, Joca, Arnesto e Iracema, além do próprio Adoniran, ganham vida e encenam com muita poesia e bom humor uma amálgama de canções do famoso compositor.
No elenco, Gero Camilo, Gustavo Machado, Zemanuel Piñeiro, Caio Juliano, Aisha Jambo e um impagável Paulo Miklos interpretando Adoniran. Um curta para fazer carreira e história.
Celso Sabadin viajou a Gramado a convite da organização do Festival.

