MISTURA DE FILMES HISTÓRICOS E INÉDITOS DÃO O TOM DA 7a. MOSTRA DE OURO PRETO.
“Preservar o passado, assistir ao presente, projetar o futuro”. Este é o inspirado slogan da vinheta de abertura da 7a CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto. A proposta é das mais bem-vindas. Sediada numa cidade que respira história por todos os seus poros, focar um Festival de Cinema na preservação e na restauração do patrimônio histórico-cultural cinematográfico do nosso país é uma iniciativa das mais louváveis.
7a CineOP escancara seu espaço para o tema, abrindo suas portas para a realização do Seminário do Cinema Brasileiro e do Encontro Nacional de Arquivos. Para isto, estão presentes profissionais e instituições de peso, como a Rede Kino (Rede Latinoamericana de Educação, Cinema e Audiovisual) e a ABPA (Associação Brasileira de Preservação Audiovisual). No programa, debates como “Preservação Audiovisual: Panorama Atual”, e os workshops “Estratégias de Migração de Conteúdo Audiovisual” e “O Impactor do Digital na Preservação Audiovisual”, ministrados respectivamente pelo mexicano Carlos Edgar Torres Perez, da Cineteca Nacional de Mexico, e pela norte-americana Caroline Frick, presidente da Association of Moving Image Archivists.
Coerente com o slogan de sua vinheta, a 7ª. CineOP mescla exibições de,filmes inéditos e históricos. Hoje (23), serão exibidos “O Bravo Guerreiro”(foto), que Gustavo Dahl, um dos homenageados do evento, dirigiu em 1969; e as pré-estreias de A Mulher de Longe, de Luiz Carlos Lacerda, Vou Rifar Meu Coração, de Ana Rieper, e Dino Cazzola – Uma Filmografia de Brasília, de Andréa Prates e Cleisson Vidal.
Não por acaso, os filmes estão sendo mostrados no igualmente histórico Cine Vila Rica, inaugurado em 1957.
Homenageados
Roberto Farias, Reginaldo Faria e Gustavo Dahl (in memoriam) são os homenageados desta 7a CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto.
Grande colaborador do evento, o montador, cineasta, crítico e gestor cultural Gustavo Dahl, faleceu poucos dias após o encerramento da última CineOP, no ano passado. O resgate de algumas de suas entrevistas deixaram clara sua preocupação com a preservação de nossa memória audiovisual, o que foi reforçado pelo depoimento de sua filha, durante a homenagem: “A última vez que vi meu pai foi quando voltou de Ouro Preto, há um ano. Ele estava muito feliz de ter revisto vários amigos e me disse que o que movia profissionalmente, aquilo no qual ele vinha se dedicando de corpo e alma, era a questão da preservação audiovisual”.
Na mesma noite, os irmãos Roberto Farias e Reginaldo Faria também foram reverenciados pela Mostra. Após um vídeo-homenagem que resgatou momentos das carreiras de ambos, Roberto Farias subiu ao palco para receber o Troféu Vila Rica e reforçou a importância da temática deste evento. “Após quase 60 anos de profissão, vejo cada vez mais a importância da preservação de nossa produção, a medida que acompanho mais e mais filmes se perdendo”, afirmou Farias, pra terminar brincando com o público: “Com 80 anos agora, eu mesmo já começo a precisar ser preservado”.
Já Reginaldo Faria lembrou de como o irmão, desde cedo, o levou para o cinema e para a atuação, e de como era grato a ele por isso. Reforçou também a importância de políticas públicas que contemplem a preservação audiovisual. “Se reservassem um único fundo para a preservação audiovisual, um pequenino fundo, como esse que reservaram para a reforma do Maracanã agora, o cinema brasileiro estaria muito melhor”, afirmou Faria.
Foram lembrados também na cerimônia o centenário do escritor e roteirista Lucio Cardoso, e os recém-falecidos José Américo Ribeiro, professor e pesquisador mineiro, e os cineastas Paulo César Saraceni e Carlos Reichenbach, bastante aplaudidos pelo público.
A memória do cinema brasileiro agradece.
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