“NINO DE SEXTA A SEGUNDA” ESTREIA NA QUINTA.

Por Celso Sabadin.

Sejamos diretos, como o filme é. “Nino de Sexta a Segunda” fala de um assunto que ninguém quer falar: câncer. E para isso se utiliza da abordagem da perplexidade. Ou seja, em pouquíssimos minutos, sem nenhum preparo preliminar, de maneira curta e grossa, o longa nos coloca na mesma posição do seu personagem: no dia de seu aniversário de 28 anos, Nino (o canadense Théodore Pellerin, ótimo), em pouquíssimos minutos, sem nenhum preparo preliminar, de maneira curta e grossa, fica sabendo que tem um câncer.

A partir dessa informação, o roteiro de Pauline Loquès (também diretora do filme) e Maud Ameline aborda a perplexidade do protagonista que simbolicamente perde o chão e concretamente perde as chaves de sua casa. Atônito, literalmente desnorteado, Nino agora mal sabe para onde ir – na rua e na vida – e tampouco tem coragem para se abrir com ninguém. Assim será seu final de semana.

Isso não significa, contudo, que “Nino de Sexta a Segunda” seja choroso, baixo astral e muito menos apelativo. Nada disso. O tom do filme é o atordoamento, é a momentânea opção por um silêncio solitário, ou até a solidão compulsória que abate mesmo quem acreditava não estar sozinho. São as diversas camadas e relacionamentos que temos ou julgamos ter. Ao seu modo minimalista, é um filme perturbador.

Surpreendentemente temos aqui uma raridade mercadológica: um título em português melhor que o original. Ao acrescentar a passagem de tempo “de Sexta a Segunda” no original “Nino”, a distribuidora brasileira cria uma ponte imaginário/afetiva com o clássico “Cléo das 5 às 7”, marco nouvellevaguista de Anés Vardas. Afinal, ambos falam de câncer, ambos falam de espera, ambos falam de tempo, ambos falam de dúvidas. Valeu a homenagem.

 

“Nino de Sexta a Segunda” recebeu quatro indicações ao 51º Prêmio César, vencendo nas categorias de Melhor Primeiro Filme e Melhor Revelação Masculina para Pellerin. A estreia é nesta quinta, 07/05.

 

 

Quem dirige

 

Após estudar literatura e direito, Pauline Loquès buscou saciar sua paixão pela escrita no jornalismo. Depois de trabalhar como editora de programas culturais, começou a se formar como roteirista. Em sua primeira realização, optou pela simplicidade e pela humildade, escolhendo retratar com a maior sinceridade possível as pessoas ao seu redor ao dirigir La Vie de Jeune Fille. Mantendo esse mesmo entusiasmo, Pauline escreveu e depois dirigiu seu primeiro longa-metragem, Nino de Sexta a Segunda.