TIRADENTES 2012: MANIPULAÇÃO POLÍTICA RECEBE DOCUMENTÁRIO BEM HUMORADO.
Terminou a Mostra Competitiva. Ontem (27/01) à noite foram exibidos os dois últimos longas metragens que disputam os prêmios do Júri Técnico (formado por especialistas em Cinema) e do Júri Jovem (só estudantes) desta 15ª. Mostra de Cinema de Tiradentes.
E não poderiam ser filmes mais diferentes entre si: o carioca “Strovengah – Amor Torto”, de André Sampaio, é uma estranha ficção sobre um homem que se isola num sítio, acompanhado apenas pela sua namorada e por um punhado de bonecos inanimados, meio manequins, meio espantalhos. Perdido entre clichês de filmes de suspense e supostas (ou, pelo menos, desejadas) referências ao cinema marginal brasileiro dos anos 60, o filme é um equívoco total.
Por outro lado, o documentário brasiliense “A Cidade é uma Só?”, de Adirley Queirós, consegue imprimir sarcasmo e muito bom humor num tema a princípio árido: a formação de Ceilândia, cidade satélite de Brasília. O filme conta como uma ação publicitária da ditadura militar, chamada Campanha de Erradicação de Invasões, gerou a sigla CEI que por sua vez originou o nome da cidade. O longa segue o ponto de vista de duas personagens impagáveis: uma senhora que na época participou inadvertidamente da campanha, e um hilariante candidato da política local. Pelos aplausos ao final da sessão, “A Cidade é uma Só?” é forte concorrente ao prêmio do Júri Popular.
Hoje à noite serão conhecidos os vencedores da 15ª Mostra de Cinema de Tiradentes. Antes, porém, o evento se encerra com dois extremos: o primeiro filme de um jovem cineasta, e o último de um veterano. Francisco César Filho, conhecido agitador cultural paulista, estreia aqui seu primeiro longa “Augustas”. E Alberto Salvá, falecido em outubro do ano passado, tem aqui a exibição de seu último trabalho, “Na Carne e na Alma”.
Celso Sabadin viajou a convite da organização do evento.

