TIRADENTES 2013: DOIS PERSONAGENS OUTSIDERS EM BUSCA DO AMOR.
Muita chuva e muito público brindaram a noite deste domingo (20/01) na 16ª Mostra de Cinema de Tiradentes. Dois longas de ficção foram exibidos no Cine Tenda, o espaço das grandes estreias do evento: o carioca “A Balada do Provisório” e o cearense “Doce Amianto”. Ambos, cada qual à sua maneira,fala de outsiders em busca do amor.
Dirigido por Felipe David Rodrigues, “A Balada do Provisório” narra com bom humor dois dias na vida de André Provisório (Edson Zille, convincente), um malandro profissional. Enquanto trafica maconha e aplica seus pequenos golpes, André acaba encontrando uma grande paixão, pela qual está disposto até a assumir seu lado burguês e conservador.
Fotografado num belíssimo preto e branco, “A Balada do Provisório” é uma homenagem às várias facetas do tradicional e clássico conceito do chamado “malandro carioca”, incluindo uma pitada de Hugo Carvana e uma dose de Cinema Marginal. O diretor, que montava “Mr. Sganzerla”, de Joel Pizzini, enquanto pensava em seu filme, afirma que “Acossados” e “O Bandido da Luz Vermelha” estão entre as suas maiores referências.
“A Balada do Provisório”, embora não aparente, foi produzido com apenas R$ 30 mil, além de um aporte de coprodução com o Canal Brasil para a compra dos direitos autorais das músicas que compõem sua trilha sonora. Não há previsão, até o momento, de lançamento no cinema.
Fechando a noite, o longa “Doce Amianto”, de Guto Parente e
Uirá dos Reis, foi recebido com muito entusiasmo tanto pelo público como pela crítica. Aliás, um parêntese: certamente Tiradentes é o evento onde os conceitos de “crítica” e “público” mais se aproximem e se sintonizem.
A expectativa sobre “Doce Amianto” já era grande desde a sua origem. Afinal, a produção é da Alumbramento, coletivo cearense cuja receptividade é forte e generosa por parte dos apreciadores deste e vigoroso e novíssimo cinema que vem sendo feito no Brasil, mas que passa ao largo do público.
Trafegando totalmente na contramão do cinema realista, “Doce Amianto” é uma fábula “camp” sobre uma personagem à procura do amor. Uma mulher? Um homem? Um travesti? Que importa o fato de Amianto ser interpretada por um ator do sexo masculino (Deynne Augusto, ótimo)? “Amianto é uma mulher. A gente acredita nisso, a Amianto acredita nisso e o filme acredita nisso”, afirma Guto Parente.
O roteiro é baseado num poema que Uirá dos Reis escreveu para um grande amigo que faleceu prematuramente. Da morte veio o sentimento, do sentimento veio o poema, do poema veio o roteiro (“escrito durante um Carnaval”, diz Uirá) e do roteiro veio o filme. “Mas eu quis repensar toda a história de uma forma divertida”, afirma o roteirista e codiretor.
A sinopse oficial do filme situa Amianto “isolada num mundo de fantasia habitado por seus delírios de incontida esperança, onde sua ingenuidade e sua melancolia convivem de mãos dadas”. Mas Guto Parente, mais direto, prefere dizer trata-se das “aventuras sentimentais de um personagem”.
A distribuição de “Doce Amianto” já está garantida pela Vitrine Filmes.

