TIRADENTES 2015: “NERVOS DE AÇO” INUNDA A PRAÇA DE LUPICÍNIO RODRIGUES.
É sempre bom ouvir Lupicínio Rodrigues. Ouvir Lupicínio Rodrigues na tela grande de cinema, numa projeção a céu aberto, com a praça lotada, como diz aquela propaganda, não tem preço. A experiência foi das mais satisfatórias e aconteceu na noite de ontem (24/01) durante a 18ª Mostra de Cinema de Tiradentes. O filme é “Nervos de Aço”, de Maurice Capovilla, já exibido no CineCeará, embora a programação daqui o classifique como “pré-estreia nacional”.
Ironicamente, a projeção apresentou sérios problemas justamente em seu som. Mas, dos males o menor, as falhas aconteceram nos diálogos, nunca nas canções. E haverá uma exibição/compensação ainda hoje.
“Nervos de Aço” utiliza o recurso da metalinguagem, mostrando um grupo que monta um espetáculo baseado nas músicas do famoso mestre gaúcho, o rei da dor de cotovelo. Como sempre costuma acontecer nesta formulação de roteiro, os personagens apresentam envolvimentos emocionais que encontram paralelos à obra que eles próprios interpretam, causando assim uma área de conflitos e similaridades entre a ficção e a sua representatividade.
O diretor do espetáculo que se ensaia na tela é Joel, interpretado por Arrigo Barnabé. Arrigo pode não ser, como de fato não é, um grande ator, mas o fato dele ser músico e cantor ajuda bastante na composição e na credibilidade do personagem. Joel está vivendo um momento de intensa crise amorosa com sua companheira Rosa (Ana Lonardi) que – claro! – também é a estrela de seu show. Eles levam para o palco os problemas de seu relacionamento, e quem conhece um pouquinho da obra de Lupicínio sabe que um triângulo amoroso será inevitável.
Dramaturgicamente, “Nervos de Aço” pode até ser considerado convencional, nem sempre a direção de atores funciona bem, e há uma certa dose de previsibilidade em seu roteiro. Mas estas falhas são compensadas pelas excelentes performances de Ana Leonardi e da belíssima banda que a acompanha, que inclui o trombonista Matias Capovilla, filho do diretor. Os mais puristas podem até estranhar alguns arranjos mais jazzísticos feitos para a obra de Lupicínio, mas isso faz parte de uma bem-vinda “repaginação” do compositor, onde há espaço até para um questionamento feminista (no bom sentido da palavra) da submissão das personagens femininas das suas letras.
“Nervos de Aço” é um filme que acaba atingindo a emoção muito mais pelos caminhos auditivos que pelos visuais.

