VAZAMENTO DE INFORMAÇÕES ESTRAGA A FESTA DE ENCERRAMENTO DO FESTIVAL DE BRASÍLIA.

A frase que mais se escutava era “Tinha que ser em Brasília”. Favorecimentos, traição de confiança, falta de ética, falta de caráter. E não estamos falando de nenhum filme concorrente neste 43o. Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. A festa de entrega dos prêmios foi estragada pelo vazamento das informações dos vencedores, informações estas sempre trancadas a sete chaves antes da entrega dos trofeus. Mas desta vez foi diferente.

Logo após a exibição do filme de encerramento – “Os Deuses e os Mortos”, de Ruy Guerra – como é de praxe vários jornalistas ligaram seus notebooks para iniciar seus trabalhos de cobertura do evento. Em poucos minutos, antes mesmo do início da cerimônia de premiação, o zum-zum-zum começou a percorrer a plateia: todos (isso mesmo, todos)os resultados já estavam na internet. O rumor foi tomando volume e, inevitavelmente, invadiu o palco. Quando um dos prêmios ia ser anunciado, alguém da plateia gritou para Sérgio Fidalgo, apresentador do evento (que é também o coordenador geral do Festival): “Pra que tudo isso? Todo mundo já sabe quem ganhou!”. A plateia veio abaixo. Gritos, urros, vaias. A partir daí, o clima ficou insustentável com os prêmios sendo entregues entremeados com bate-bocas e ofensas entre realizadores, plateia e o próprio Fidalgo. Estava instalado o caos. Muita gente abandonou o Cine Brasília durante a premiação, que se configurou num dos maiores fiascos dos últimos anos.

Ao final da cerimônia, os assessores de imprensa do Festival de Brasília subiram am palco e explicaram que os resultados foram efetivamente entregues com antecedência a alguns veículos impressos, visando facilitar o fechamento editorial. Mas que estes veículos se comprometeram a nada divulgar até, pelos menos, a meia noite. Ainda segundo a assessoria de imprensa, a Folha de São Paulo quebrou a promessa e publicou os resultados em sua versão on line. Daí para o incêndio foi um passo.

Ao ouvir as explicações da assessoria, as vaias, urros e insultos da plateia se voltaram contra a Folha de São Paulo, veículo que reconhecidamente dá mais valor a uma boa polêmica do que a uma boa notícia. E que neste momento deve estar adorando ter jogado sujeira no ventilador do Festival de Cinema de Brasília, que caminhava impecável até esta noite.

De qualquer maneira, o evento é maior do que a Folha, e os resultados são os seguintes:

PRÊMIOS OFICIAIS – TROFÉU CANDANGO

Longa-metragem em 35mm

Melhor filme (júri oficial) – R$ 80.000,00: O CÉU SOBRE OS OMBROS, de Sérgio Borges
Prêmio Especial do Júri – R$ 30.000,00: Aos personagens/atores do filme O CÉU SOBRE OS OMBROS
Melhor direção – R$ 20.000,00: Sérgio Borges, por O CÉU SOBRE OS OMBROS
Melhor ator – R$ 10.000,00: Fernando Bezerra, de TRANSEUNTE
Melhor atriz – R$ 10.000,00: Melissa Dullius , de OS RESIDENTES
Melhor ator coadjuvante – R$ 5.000,00: Rikle Miranda , de A ALEGRIA
Melhor atriz coadjuvante – R$ 5.000,00: Simone Sales De Alcântara, de OS RESIDENTES
Melhor roteiro – R$ 10.000,00: Manuela Dias e Sérgio Borges por CÉU SOBRE OS OMBROS
Melhor fotografia – R$ 10.000,00: Aluizio Raulino, por OS RESIDENTES
Melhor direção de arte – R$ 10.000,00: Gustavo Bragança, de A ALEGRIA
Melhor trilha sonora – R$ 10.000,00: Andre Wakko, Juan Rojo, David Lanskylansky e Vanessa Michellis por OS RESIDENTES
Melhor som – R$ 10.000,00 e ainda Prêmio Dolby: consiste na licença para usar o sistema de som dolby (equivalente a quatro mil dólares): Som Direto, Edicão de Som e Mixagem de TRANSEUNTE
Melhor montagem – R$ 10.000,00: Ricardo Pretti, de O CÉU SOBRE OS OMBROS

Curta ou média-metragem em 35mm

Melhor filme (júri oficial) – R$ 20.000,00: ACERCADACANA, de Felipe Peres Calheiros
Prêmio especial do júri: BRAXÍLIA, de Danyella Proença
Melhor direção – R$ 10.000,00: Gabriel Martins e Maurilio Martins, de CONTAGEM
Melhor ator – R$ 5.000,00: Vinny Azar e Ícaro Teixeira, por A MULA TEIMOSA E O CONTROLE REMOTO
Melhor atriz – R$ 5.000,00: Dira Paes, de MATINTA
Melhor roteiro – R$ 5.000,00: Danyella Proença, de BRAXÍLIA
Melhor fotografia – R$ 5.000,00: Yuri Cesar, de CACHOEIRA
Melhor direção de arte – R$ 5.000,00: Maíra Mesquita, de FÁBULA DAS TRÊS AVÔS
Melhor trilha sonora – R$ 5.000,00: Puriki e índios do alto rio negro, de CACHOEIRA
Melhor som – R$ 5.000,00: Som Direto, Edicão de Som e Mixagem de MATINTA
Melhor montagem – R$ 5.000,00: Paulo Sano de ACERCADACANA

Curta-Metragem Digital

Melhor Filme (Júri Oficial) – R$ 15.000,00: TRAZ OUTRO AMIGO TAMBÉM de Frederico Cabral
Melhor Direção – R$ 10.000,00: Pablo Lobato, pelo filme QUEDA
Melhor Ator – R$ 5.000,00: Emanuel Aragão, por SÓ MAIS UM FILME DE AMOR
Melhor atriz – R$ 5.000,00: Ketellen Coutinho, por TEMPO DE CRIANÇA
Melhor Roteiro – R$ 5.000,00: Samir Machado de Machado, por TRAZ OUTRO AMIGO TAMBÉM
Melhor Fotografia – R$ 5.000,00: Carol Matias e Elias Guerra, por ENTREVÃOS
Melhor Direção De Arte – R$ 5.000,00: Daniel Banda, por O FILHO DO VIZINHO
Melhor Trilha Sonora – R$ 5.000,00: Lucas Marcier, por TEMPO DE CRIANÇA
Melhor Som – R$ 5.000,00: O Grivo, por QUEDA
Melhor Montagem – R$ 5.000,00: Alberto Feoli, por TRAZ OUTRO AMIGO TAMBÉM

PRÊMIO JÚRI POPULAR

Melhor longa-metragem em 35mm – R$ 30.000,00 e ainda Prêmio exibição TV Brasil – R$ 30 mil ao melhor longa-metragem e o título premiado integrará a programação da emissora: AMOR?, de João Jardim

Melhor curta-metragem em 35mm – R$ 20.000,00 e ainda Prêmio Megacolor/ Estudios Mega – R$ 8.000,00 em serviços do Estudios Mega e R$10.000,00 em serviços do Megacolor: BRAXÍLIA, de Danyella Proença

OUTROS PRÊMIOS

CÂMARA LEGISLATIVA DO DISTRITO FEDERAL
Melhor longa em 35mm CLASSIFICADO EM 1º LUGAR – R$ 75.000,00 e ainda Prêmio Quanta – R$ 10.000,00 em equipamentos de iluminação e maquinaria: O MAR DE MÁRIO, de Reginaldo Gontijo e Luiz F. Suffiati
Melhor longa em 35mm CLASSIFICADO EM 2º LUGAR – R$ 35.000,00: SEM CONCORRENTE
Melhor média ou curta em 35mm CLASSIFICADO EM 1º LUGAR – R$ 20.000,00 e ainda Prêmio Quanta – R$ 8.000,00 em equipamentos de iluminação e maquinaria: PROFANA VIA SACRA, de Alisson Sbrana

Melhor média ou curta em 35mm CLASSIFICADO EM 2º LUGAR – R$ 10.000,00: RATÃO, de Santiago Dellape

Melhor filme Digital R$ 10.000,00 e ainda Prêmio Quanta – R$ 4.000,00 em equipamentos de iluminação e maquinaria: A MENOR DISTÂNCIA ENTRE DOIS PONTOS, de Breno Nina e Elias Guerra

AQUISIÇÃO CANAL BRASIL

Cessão de um Prêmio de Aquisição, no valor de R$ 15.000,00, ao Melhor Curta 35mm selecionado pelo júri Canal Brasil: A MULA TEIMOSA E O CONTROLE REMOTO, de Hélio Villela Nunes

PRÊMIO DA CRÍTICA – TROFÉU CANDANGO
Melhor longa 35mm: TRANSEUNTE, de Eryk Rocha

Melhor curta em 35mm: A MULA TEIMOSA E O CONTROLE REMOTO, de Hélio Villela Nunes

PRÊMIO CONTERRÂNEOS
Troféu oferecido pela Fundação Cinememória

Melhor Documentário do Festival: ZÉ[S], de Piu Gomes

PRÊMIO ABCV/ESTÚDIOSMEGA E MEGACOLOR

Os Estúdios Mega/Megacolor, por mais um ano, oferece um prêmio à Associação Brasiliense de Cinema e Vídeo (ABCV), cujo critério foi contemplar a melhor produção de curta-metragem 35mm do ano, escolhida pelos associados em votação apurada pela ABCV e equipe Megacolor: RATÃO, de Santiago Dellape

PRÊMIO ABCV DF 2010

Conferido pela ABCV, Associação Brasiliense de Cinema e Vídeo, o PRÊMIO ABCV este ano toma um novo significado. Em sua concepção original e até o ano passado, os associados escolhiam, por voto, o curta 35mm do Distrito Federal que melhor representasse a produção do ano. Agora, nossa idéia é ampliar a homenagem a um sentimento sincero de gratidão e respeito aos nossos técnicos, atrizes, atores e fornecedores da cidade, que viabilizam seguirmos produzindo nossos sonhos, nossos trabalhos. E também, caros produtores e diretores aqui presentes, a homenagem é uma espécie de “carta de indicação”, onde os associados asseguram para todos que “este profissional, nós recomendamos!”. Então, com muita honra, em retribuição ao talento, generosidade, parceria, entrega e humor, que a Associação Brasiliense de Cinema e Vídeo confere em 2010 o PRÊMIO ABCV para o ator ARGEMIRO GOMES DE ANDRADE JR. Cearense de Fortaleza, esse candango mudou-se para Brasília antes da inauguração da capital e já trabalhou em mais de 50 produções, tendo diretores como Nelson Pereira dos Santos, André Luis Oliveira, Geraldo Moraes e José Eduardo Belmonte.

PRÊMIO VAGALUME

Troféu conferido por integrantes do projeto Cinema para Cegos, da Diretoria de Inclusão Sociocultural, da Secretaria de Cultura do DF

Melhor Longa 35mm: AMOR?, de João Jardim

Melhor Curta 35mm: CAFÉ AURORA, de Pablo Pólo

PRÊMIO SARUÊ
Conferido pela equipe de cultura do jornal Correio Braziliense.

Numa edição do festival que acertadamente privilegiou a renovação, pela ousadia da entrega sem reservas à proposta de um filme que implode os limites entre ficção e documentário e se aproxima intimamente dos personagens, a equipe de Cultura do Correio Braziliense decidiu premiar com o troféu Saruê o desempenho do elenco de O CÉU SOBRE OS OMBROS: Everlyn Barbin, Lwei Bakongo e Murari Krishna.

MARCO ANTÔNIO GUIMARÃES – TROFÉU CANDANGO
Conferido pelo Centro de Pesquisadores do Cinema Brasileiro para o filme que melhor utilizar material de pesquisa cinematográfica brasileira. DE BEM COM A VIDA – CARLOS ELIAS E O SAMBA EM BRASÍLIA, de Leandro Borges

Veja mais em www.festbrasilia.com.br