FRANCÊS “TODOS OS DEUSES DO CÉU” PERTURBA E FASCINA.
Por Celso Sabadin.
O operário Simon (Jean-Luc Couchard) vive uma vida de solidão e culpa, vitimado por uma tragédia familiar acontecida ainda em sua infância. Responsável por cuidar da irmã Estelle (Melanie Gaydos, modelo, portadora de uma mutação genética, que causou polêmica no mercado da moda), Simon sonha com o dia em que finalmente os seres vindos do Sol o tirarão de sua infinita depressão. Antes, porém, ele tem questões mais terráqueas para resolver.
Sem preocupações em construir uma narrativa cinematográfica convencional, e assumidamente irreverente às questões mercadológicas do cinema, o diretor e roteirista Alexandre Claudin (que artisticamente se assina Quarxx) compõe aqui sua ópera mórbida e bizarra.
Produzido em 2018, “Todos os Deuses do Céu” retoma seu curta de 2015, “Un Ciel Bleu Presque Parfait”, de 2015, que por sua vez foi inspirado em uma exposição fotográfica do próprio autor, cujo tema era a morte.
Com formação em artes plásticas e fotografia, Quarxx é magistral na criação de climas, ao mesmo tempo em que desenvolve instantes sarcásticos e fascinantes com coadjuvantes que terão pouquíssimo tempo de tela – e quase nenhuma função dramatúrgica – sem perder a força do principal fio condutor da trama. Ou seja, não se incomoda em – felizmente – rasgar as cansativas bíblias dominantes dos manuais de roteiro.
Tudo isso faz de “Todos os Deuses do Céu” um longa ao mesmo tempo aliciante e incômodo, que atrai e repele, cativa e choca, e que pode causar as mais diferentes sensações… exceto a indiferença.
É como um acidente na estrada: a gente sabe que vai ser horrível, mas não consegue deixar de olhar.
Com uma boa carreira em festivais de horror e filmes fantásticos (e rejeitado em eventos mais convencionais), “Todos os Deuses do Céu” está disponível em www.cinemavirtual.com.br

