“PATTERNS”: ROD SERLING ANTES DE “ALÉM DA IMAGINAÇÃO”.

Por Celso Sabadin.

Fiquei interessado em assistir “Patterns” por causa do seu roteirista, Rod Serling, o criador de “Além da Imaginação”, o seriado dos anos 1950 precursor de todos os seriados de ficção científica que viriam a seguir. Como não conheço a obra de Serling no longa-metragem, e gosto demais de “Além da Imaginação”, fui conferir “Patterns”, de 1955.

O filme começa mostrando a agitação de uma Nova York contemporânea e vibrante, totalmente sintonizada com os preceitos industriais-desenvolvimentistas que os EUA vendiam para o mundo no pós Segunda Guerra.  Neste contexto, somos apresentados à luxuosíssima corporação Ramsey & Company, cujas instalações, no 40º. andar de um arranha céu de Manhattan, muitas vezes se assemelham a uma catedral. Time is Money, e pelo visto God também is Money.

Logo surge o personagem principal, Fred Staples, interpretado pelo sempre marcante Van Heflin, um executivo vindo do interior, ansioso pelo seu primeiro dia de trabalho na portentosa empresa novaiorquina.

Passam-se mais alguns minutos, outros personagens que serão importantes à trama começam a desfilar suas características diante dos nossos olhos, e aos poucos eu vou me inquietando: cadê os discos voadores? Os alienígenas? As viagens no tempo?

Pois é. “Patterns” não é sobre isso. Realizado quatro anos antes de “Além da Imaginação”, este é o primeiro roteiro de Serling – na época, já bastante atuante em TV – a chegar na tela do cinema. Não foi um grande sucesso de bilheteria, porque a mesma história já havia sido apresentada em televisão, no ano anterior. Mas, revisto hoje, o filme tem sua atualidade renovada, na medida em que seu tema continua sendo dos mais discutidos: o assédio moral.

Ao chegar na grande empresa, o protagonista se depara com a extrema crueldade dos jogos de poder empreendidos pelo chefão Walter J. Ramsey (papel de Everett Sloane) contra Bill Briggs (Ed Begley, ótimo), um dos fundadores da organização, mas agora ultrapassado e dispensável, na opinião do patrão. Ao tornar-se o único membro da diretoria a se indignar contra Ramsey, Staples se torna o herói-referência do filme.

Mas ressalte-se que “Patterns” não critica este desprezível mundo corporativo apenas pelos olhos dos machos alfa brancos engravatados. Há também todo um time de secretárias oprimidas e machistamente subjugadas (com ótimas intepretações principalmente de Elizabeth Wilson e Joanna Roos) que sofrem direta e indiretamente com a toxidade da situação implantada.

Com firmíssima direção de Fielder Cook, “Patterns” foi lançado no Brasil como “A História de um Egoísta” e em Portugal como “Os Gigantes Dominam”, encontrei uma cópia excelente, grátis, mas sem legendas, em https://www.youtube.com/watch?v=UMnU4faUMUY