“HORA DO RECREIO” UNE ARTE, EDUCAÇÃO E SOCIEDADE.
Por Celso Sabadin.
Acredito que o mundo só vai sair desta draga em que se meteu investindo tempo e paixão em duas áreas: a juventude e a arte. E são exatamente estes os caminhos abordados por “Hora do Recreio”, documentário que chega aos cinemas nesta quinta-feira, 12/03.
Premiado com menção especial no Festival de Berlim, “Hora do Recreio” mistura com criatividade e equilíbrio as linguagens documentais e ficcionais a partir do olhar de jovens estudantes, que escancaram seus corações para as câmeras. Escrito, produzido e dirigido por Lucia Murat, “Hora do Recreio” levanta discussões urgentes sobre a educação no Brasil a partir da perspectiva de alunos dos ensinos fundamental II e médio do Rio de Janeiro, que demonstram apaixonante desenvoltura, equilíbrio e maturidade ao expor suas vivências e problemas. Ideal para calar a boca de quem vive criticando negativamente as novas gerações porque elas “não se adaptam ao mercado”.
Fazendo coro com o emocionante depoimento de uma das alunas – que atribui à arte o único espaço em sua vida em que ela pode ser ela mesma – “Hora do Recreio” entremeia os depoimentos com a encenação de uma peça baseada no livro “Clara dos Anjos”, de Lima Barreto. Tal encenação conta com atores de grupos como o Nós do Morro (Vidigal), Grupo de Teatro VOZES! (Cantagalo-Pavão-Pavãozinho) e Instituto Arteiros (Cidade de Deus). Ao dramatizar a história de Clara, uma jovem negra suburbana vivida por Brenda Viveiros, os jovens conectam o texto literário às suas próprias vivências nas comunidades.
Quem pensa a nossa sociedade atual não pode deixar de ver.
Quem dirige
O primeiro longa-metragem da diretora Lúcia Murat, o semidocumentário “Que Bom te ver Viva” (1989), estreou no Festival de Toronto e revelou uma cineasta dedicada a temas políticos e femininos, ganhando o prêmio de melhor filme do júri oficial, do júri popular e da crítica no Festival de Brasília de 1989. Com “Doces Poderes” (1995), estreou no Festival de Sundance e no Festival de Berlim. Em 2000, lançou “Brava Gente Brasileira” e, em 2004, “Quase Dois Irmãos”, que lhe rendeu inúmeros prêmios, entre eles os de melhor direção e melhor filme latino-americano pela FIPRESCI no Festival do Rio 2004, e melhor filme no Festival de Mar del Plata 2005. No Festival do Rio de 2005 estreou o documentário “O Olhar Estrangeiro” e, na edição de 2007, “Maré, nossa história de amor”, uma coprodução Brasil-França, também exibido no Festival de Berlim. Em 2010 filmou o documentário/ensaio “Uma Longa Viagem”, grande vencedor do Festival de Gramado e, em 2013, lançou o filme “A Memória Que Me Contam”, vencedor do prêmio da crítica internacional no Festival Internacional de Moscou. Em 2015 lançou o documentário “A Nação Que Não Esperou Por Deus” e, no mesmo ano, o filme “Em Três Atos”, uma coprodução francesa. Em 2017, ganhou no Festival do Rio os prêmios de melhor direção e melhor atriz com “Praça Paris”, que teve inúmeros prêmios internacionais, inclusive o de melhor filme da crítica internacional. Em 2021, lançou “Ana. Sem Título”, filmado em Cuba, México, Chile, Argentina e Brasil e, em 2024, o longa-metragem de ficção “O Mensageiro”. “Hora do Recreio”, seu último filme, terá estreia internacional no Festival de Berlim, em competição na mostra Generation.

