AFETUOSO “A GRAÇA” ENTRA EM SUA SEGUNDA SEMANA EM CARTAZ.

Por Celso Sabadin.

São bem poucos atualmente os nomes de cineastas ou atores/atrizes que me arrastam incondicionalmente ao cinema. Cito dois deles: o diretor e roteirista Paolo Sorrentino e o ator Toni Servillo. Gosto muito de tudo o que eles fazem, mesmo quando o filme não é tão bom assim. Afinal, alguém (não sei quem) já disse que “quem só gosta de filme bom não gosta de cinema”.

Quando ambos estão juntos, então, melhor ainda. É o caso de “A Graça”, entrando agora neste 28/03 em sua segunda semana em cartaz em cinemas.

“A Graça” é um oásis. Um filme de silêncios e reflexões, raridade em nosso mercado. Servillo interpreta um fictício Presidente da Itália em seus últimos dias de mandato. Antes de passar o bastão ao sucessor, ele ainda precisa tomar algumas decisões importantes. Entre elas, decidir se ele precisa mesmo tomar essas decisões importantes. Enquanto isso, o Presidente pensa, reflete, passa a vida a limpo. Olha para trás e mergulha em lembranças, olha para a frente e sabe que não há muito mais para ver. O simples é valorizado. Tanto para ele, como para o filme, cada minuto é precioso.

“Vivemos um momento histórico em que a ética às vezes parece opcional, evasiva, opaca, ou muitas vezes invocada apenas por razões instrumentais”, disse Sorrentino em entrevista à Variety. “A ética é uma questão séria. Ela sustenta o mundo. Mariano De Santis é um homem sério. E Toni é o único ator que me transmite uma sensação imediata de autoridade – ao mesmo tempo em que emana grande humanidade só com seu olhar”, afirmou.

Não por acaso, Servillo venceu o prêmio de ator no Festival de Veneza do ano passado por este seu trabalho. Um ator eternamente em estado de graça.