AVENTURA “13 DIAS, 13 NOITES’” PERMANECE EM CARTAZ.
por Celso Sabadin.
Se tem uma coisa que me deixa com dois pés atrás é produção francesa (ou franco-belga, como é o caso aqui) que mergulha no universo de culturas orientais. Principalmente a muçulmana. Há alguma coisa no cinema dos franceses e dos belgas que simplesmente não consegue se descolar do colonialismo estrutural instalado nesses países.
“13 Dias, 13 Noites” é um desses casos. Com direção do francês Martin Bourboulon, o filme busca reproduzir a mega operação desesperada que a embaixada francesa no Afeganistão deflagrou, em 2021, quando o Talibã retomou o controle da capital, Cabul. Quem tinha um mínimo de juízo queria sair imediatamente da cidade, e evidentemente não havia condições nem físicas nem técnicas para tamanha evacuação. O caos foi total e generalizado.
Desta vez, o longa não chega a ser tão ostensivamente neocolonialista como vários outros que estrearam ultimamente (leia em www.planetatela.com.br/?s=neocolonial), mesmo porque defender os métodos do Talibã é uma tarefa das mais impossíveis. Há, contudo, um outro probleminha: a imitação de todos os clichês do cinema de aventura estadunidense. Sabe aquela coisa de ligar o carro, cortar para um close na chave do contato, e imediatamente cortar para um plano detalhe do farol acendendo, tudo debaixo de uma insistente e repetitiva trilha sonora retumbante? Então, é daí pra mais, incluindo a construção imaculadamente heroica dos protagonistas. Se bobear, aparece o Vin Diesel em algum canto. Errado não está, mas é um outro tipo de cinema (que eu até curto ver, quando estou com a cabeça bem cansada e não quero pensar), que pode decepcionar quem acreditou na divulgação do longa dizendo que ele seria um “thriller político”.
O roteiro é de Alexandre Smia e do próprio diretor, a partir do livro de Mohamed Bida, que era o adido da embaixada francesa no Afeganistão, quando a bomba estourou. Ele é interpretado, no filme, por Roschdy Zem. Dá pra entender porque o personagem é tão heroico: o livro que deu origem ao filme foi escrito por ele mesmo.
O filme estreou na última quinta, 19/03, e entra agora em sua segunda semana em cartaz.
Quem dirige
Martin Bourboulon é diretor e roteirista francês. Começou a carreira com as comédias Relacionamento à Francesa (2015) e Relacionamento à Francesa 2 (2016), grandes sucessos de público. Com o drama histórico Eiffel (2021), sobre a construção da torre parisiense, demonstrou habilidade para conduzir narrativas épicas, talento que o credenciou para o projeto em duas partes Os Três Mosqueteiros: D’Artagnan e Os Três Mosqueteiros: Milady (2023), adaptações do clássico de Alexandre Dumas.

