HISTÓRICO, “O RAIO DA MORTE” UNE KULESHOV E PUDOVKIN.
Por Celso Sabadin.
Dois dos maiores nomes do início do cinema soviético assinam o clássico “Raio da Morte”: Lev Kuleshov na direção e Vsevolod Pudovkin no roteiro. O filme foi lançado em 1925, durante o conturbado período político que reinou na URSS entre a morte de Lênin (1924) e a consolidação de Stálin no poder (1927). Na época, discutia-se no país se o cinema deveria ser político-ideológico ou apenas entretenimento. “Raio da Morte” consegue ser os dois.
A história coloca em conflito o líder fascista Revo (interpretado pelo próprio Pudovkin) e o revolucionário comunista Thomas Lann (Sergei Komarov). Ambos tentam se apoderar de um aparato futurista chamado “raio da morte”, uma poderosa arma inventada pelo engenheiro Podobed (Porfiri Podobed), capaz de destruir alvos a grandes distâncias.
Produzido pela estatal russa Goskino, “O Raio da Morte” junta-se a outros longas russos da época que revolucionaram a técnica da montagem cinematográfica, utilizando cortes extremamente curtos, closes, e ampla diversidade de enquadramentos para proporcionar maiores dinamismo e dramaticidade à narrativa. Seu estilo de aventura e espionagem, com tiroteios e perseguições bem ao gosto do grande público, constitui-se em atrativo para as plateias, ao mesmo tempo em que sua clara mensagem política age como ferramenta de divulgação da Revolução iniciada em 1917.
Infelizmente, não é possível precisar com exatidão nem como ele começa, nem como termina, pois o primeiro e o último rolo das cópias atualmente existentes foram perdidos. Dos 125 minutos originais, restam 76. Nessas cópias remanescentes tampouco fica claro o país onde acontece a atividade fascista, mas a presença explícita da suástica em algumas cenas sugere que seja na Alemanha. Na época, os nazistas ainda não haviam tomado o poder do país, o que só aconteceria em 1933, mas o partido Nacional Socialista já exista desde 1919.
Estranhamente, a Venezuela é mostrada no filme como um grande comprador de armas.
Por vezes, atribui-se a ideia original do filme ao conto “The Hyperboloid of Engineer Garin”, de Alexei Tolstói (não confundir com Liev Tolstói), ou à peça teatral ”Zhelyezny Ostrov”, de Valentin Kataev, conhecida no ocidente como “O Senhor de Ferro” “O General de Ferro”. A segunda opção parece mais viável, posto que a peça foi encenada pela primeira vez em 1924, e o conto foi publicado somente em 1926, após o lançamento do filme (o que não exclui a possibilidade da produção do longa ter tido acesso ao texto antes de sua edição). De qualquer maneira, o vislumbre futurista de um raio destruidor de longo alcance era assunto em pauta na época, principalmente após o polêmico inventor britânico Harry Grindell Matthews, em 1923, ter anunciado a construção de um aparelho desse tipo, o que – obviamente – não foi comprovado.
Cópia com legendas em português geradas pelo YouTube: www.youtube.com/watch?v=y3jlMgtmSPc

