“AS CORRENTES” DO FILME DE ARTE.

Por Celso Sabadin.

Após receber um importante prêmio internacional na Suíça, a estilista Lina (Isabel Aimé González-Sola) entra em depressão, e retorna à sua Argentina natal transformada. Calada e introspectiva, ela desenvolve uma estranha aversão a água, e nada mais parece motivá-la.

A perplexidade paralisante diante do inócuo da vida é um dos temas mais recorrentes dessa nossa contemporaneidade. E, consequentemente, também é um dos assuntos preferidos dos filmes que parecem terem sido produzidos com a finalidade de vencer festivais. Uma coisa não anula a outra. Abordar a questão é certamente uma das mais prementes necessidades da arte do nosso tempo (mesmo com tantos questionamentos sobre a real existência ou não de arte em nosso tempo), e não há pecado algum em ganhar visibilidade (a grande moeda de troca atual) fazendo isso. Principalmente quando o estilo cinematográfico adotado segue a linha de quem já encantou os júris dos grandes eventos.

Mantem-se o silêncio contemplativo, ampliam-se os tempos para potencializar o fardo mudo do existencialismo, criam-se paralelismos simbólicos visuais na mise-en-scène, arma-se uma coprodução europeia, troca-se aqui e ali um elemento ou outro – a água do pântano pela água do rio, por exemplo – e voilá! Habemus filme de arte.

Coproduzido por Argentina e Suíça, “As Correntes” chega em cinemas brasileiros nesta quinta, 18/06.

 

Quem dirige

Milagros Mumenthaler nasceu na Argentina em 1977. Ainda criança, deixou o país rumo à Suíça, onde cresceu. Dirigiu quatro curtas-metragens, selecionados e premiados em diversos festivais. Em 2011, dirigiu Back to Stay, seu primeiro longa selecionado para a Cinéfondation, a residência do Festival de Cannes. O filme recebeu diversos prêmios, incluindo o Leopardo de Ouro e o Leopardo de Melhor Atriz no Festival de Locarno, além do Astor de Oro no Festival de Mar del Plata. Seu segundo filme, The Idea of a Lake, foi apresentado na competição dos festivais de Locarno, Busan, San Sebastián e Rotterdam.