“A SOMBRA DO MEU PAI”: NIGÉRIA EM CARTAZ.
Por Celso Sabadin.
Com cerca de 2.500 longas-metragens por ano, a Nigéria é atualmente o segundo maior produtor mundial de cinema – em termos quantitativos – perdendo apenas para a Índia. UM destes 2.500 filmes estreia nesta quinta-feira, 30/04 em cinemas brasileiros. E mesmo assim ele não é totalmente nigeriano, mas sim coproduzido com Reino Unido e Irlanda.
O premiado é “A Sombra do Meu Pai”, longa de estreia de Akinola Davies Jr., cineasta nascido em Londres, de origem nigeriana e cultura iorubá. Em parceria com o irmão, Wale, Akinola desenvolveu o roteiro sobre dois meninos do interior da Nigéria (interpretados por Chibuike Marvellous Egbo e Godwin Egbo) que passam um dia mágico em companhia do pai (Ṣọpẹ́ Dìrísù), na capital do país, Lagos. Contrastando com os encantos das descobertas e aprendizados dos garotos, o pano de fundo retrata as conturbações políticas do lugar, naquele simbólico e violento 1993.
O fato do roteiro ter sido escrito por dois irmãos nos leva naturalmente a pensar que o filme é autobiográfico. Em entrevista, o diretor já avisou que não é. Os irmãos cineastas quiseram, sim, abordar o tema da ausência paterna, situação que eles de fato vivenciaram, mas basicamente o que se vê na tela é ficcionalizado e – como se perceberá – com doses de misticismo.
Realidades ou ficções à parte, “A Sombra do Meu Pai” é um filme que se acompanha com interesse e afeto, ao mesmo tempo em que deixa no ar um constante clima de suspense. Além de vencer o BAFTA de melhor estreia de diretor, roteirista ou produtor britânico e o prêmio da crítica da 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, “A Sombra do Meu Pai” recebeu também menção especial da Caméra d’Or (para melhor estreante entre todas as seções) no Festival de Cannes, o British Independent Film Award de direção e o Gotham Awards de diretor revelação e atuação, entre outros prêmios.
A estreia brasileira será em cinemas de São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Recife, Goiânia, Fortaleza, Porto Alegre, Belo Horizonte e Poços de Caldas.
Que venham mais filmes nigerianos e de toda a África também.
Quem dirige
Akinola Davies Jr – Cineasta e artista residente na Somerset House, seu trabalho abrange nações para explorar temas sobre comunidade, raça, espiritualidade, identidade e gênero, contando histórias que preenchem a lacuna entre diferentes gerações. Seu curta-metragem Lizard (2020) estreou no Festival de Sundance, onde venceu o grande prêmio do júri, e também foi exibido no BFI London Film Festival, além de ter sido indicado ao BAFTA de melhor curta- metragem britânico. Akinola fez parte da Berlinale Talents 2020 Collective. Na indústria da moda, trabalhou com marcas como Gucci, Acne Studios, COS, Moncler, Kenzo, Mulberry e Louis Vuitton em vários projetos criativos. Akinola também dirigiu videoclipes para artistas como Neneh Cherry, Kae Tempest e Blood Orange. A Sombra do Meu Pai é seu primeiro longa-metragem.

