BELÍSSIMO CHINÊS “LIVING THE LAND” ENTRA NA SEGUNDA SEMANA EM CARTAZ.
Por Celso Sabadin.
Relaxe. Mergulhe. Deixe-se levar pela diversidade de personagens com nomes difíceis de memorizar. Não tente entender tudo de uma vez o que está acontecendo. Desligue o modo ansiedade e permita-se entrar no tempo rural proposto pela obra. Repare na elegância das longas e lentas panorâmicas propostas pela câmera, e preste atenção também nos segundos e terceiros planos de cada quadro. Saboreie as elipses. Se você é fã daqueles filmes feitos para streaming, sem sutilezas e com todas as informações arremessadas diretamente nas suas fuças, passe longe de “Living the Land”. Se você é fã de Cinema com “C” maiúsculo, este é o filme!
“Living the Land” (lançado assim mesmo, com o título internacional) é o “Amarcord” do cineasta chinês Meng Huo. O ponto de vista da narrativa é o do garoto Chuan, que vive na zona rural chinesa nos anos 90, junto com sua numerosa família, mas distante dos pais, que foram à procura de uma vida melhor.
É mergulhado nesta aparente simplicidade que o roteiro traça uma profunda aula de geo-sociologia ao pintar com cores fortes uma China quase medieval que – hoje – parece ter existido não há 40 anos, mas sim há anos luz da China contemporânea.
Uma pequena cena sintetiza bem a pegada do longa: o neto pergunta à avó se ela tem medo de ser cremada. Ela diz que sim. Ele diz que não precisa ter medo, pois na escola lhe ensinaram que somos apenas células renováveis, e que a cremação não dói. Ela lhe pergunta para onde vão às células. Ele diz que para a terra, para o vento, para o rio… A avó encerra o diálogo: “Que bom! Eu nunca fui pra lugar nenhum!”. Pura poesia.
“Living the Land” teve sua première mundial na competição principal do 75º Festival Internacional de Cinema de Berlim, onde ganhou o Urso de Prata de Melhor Direção.
Quem dirige
Huo Meng nasceu em Taikang, província de Henan, China, em 1984. Estudou Direito na Universidade de Comunicação da China antes de ingressar no mestrado em cinema na mesma instituição. Em 2018, realizou seu primeiro longa de ficção, “Crossing The Border – Zhaoguan”, que ganhou o Prêmio Fei Mu de Melhor Diretor no Festival Internacional de Cinema de Pingyao, o prêmio de Melhor Diretor Asiático no Festival Internacional de Cinema de Fajr e uma indicação de Melhor Diretor no Festival de Cinema Golden Rooster. Selecionado pelo diretor Jia Zhangke, “Crossing The Border – Zhaoguan” foi exibido na 70ª edição da Berlinale como parte da programação especial “On Transmission”.

