“COPAN”, ALÉM DO COPAN.

por Celso Sabadin.
Coproduzido por Brasil e França, o tema básico – praticamente único – de “Copan” é, sim, o famoso edifício de linhas modernistas projetado por Oscar Niemeyer, situado no centro de São Paulo. Mas não da forma que certamente a maioria do público imaginaria, num primeiro momento.
Nada de imagens de arquivo, nem de depoimentos tradicionais de seus moradores, muito menos de contextualizações histórico-sociais-arquitetônicas. Tampouco é uma versão paulista de “Edifício Master”.
O roteiro e a direção de Carine Wallauer propõem um mergulho poético no edifício, dentro de uma linguagem puramente observativa, tangenciando o experimental.
Através da estética que os documentaristas chamam de “mosquinha na parede”, somos convidados pela câmera de Wallauer a passear silenciosamente pelos meandros do Copan. Conhecemos seus longos corredores amarelos, ouvimos por detrás de portas, participamos de conversas de seus funcionários, passamos por longos momentos contemplativos, e até xeretamos uma pouco amigável reunião online de condomínios. O provocativo pano de fundo de todas estas situações é a tensão das mais recentes eleições presidenciais.
Assim, “Copan” assume ares de críticas social e política, ambas emolduradas pelo inabalável monumento Niemeyeriano.