DOC-TERAPIA “AQUI NÃO ENTRA LUZ” CHEGA AOS CINEMAS.

Por Celso Sabadin.

 

Quem curte e/ou estuda documentário tem em Bill Nichols uma espécie de “Papa”. Os estudos que ele fez sobre o tema, classificando os diversos tipos de registros documentais, são até hoje uma importante referência no setor. Acho só que faltou pro bom e velho Bill acrescentar um tipo de documentário que tem sido bastante recorrente nos últimos anos: o “Doc-Terapia”.

 

“Doc Terapia” não é um termo aceito academicamente, mesmo porque eu o inventei ontem mesmo, e não tem nenhum respaldo teórico. Mas tenho certeza que o leitor vai reconhecer: trata-se daquele tipo de documentário narrado em primeira pessoa em que o documentarista mergulha na história de um membro de sua própria família – geralmente alguém com quem ele tem alguma pendência afetiva – e tece uma série de considerações tentando achar as origens e o fio da meada dos motivos que causaram a tal pendência. Ou seja, ao invés de relatar suas questões pessoais para o psicoterapeuta, ele o faz para a câmera. E por que não? Acho válido, desde que o tema abordado, claro, tenha algum tipo de relevância para fora da família enfocada.

 

Bom, tudo isso pra falar que está chegando aos cinemas o doc terapia “Aqui Não Entra Luz”. Nele, a cineasta Karol Maia investiga o universo das empregadas domésticas, as injustiças das relações de trabalho, as lutas sindicais, e os fatores históricos que ligam a profissão à cultura escravagista brasileira.

Para isso, Karol usa como referência e fio condutor a sua própria mãe, que no início do processo do filme da filha não queria dar depoimento, e aos poucos foi se soltando, até participar do projeto (de maneira genial, por sinal) após cinco anos de insistência da documentarista. No processo, Karol passa a compreender melhor não apenas sua mãe, como a si própria.

 

Reunindo vozes e emoções de mulheres que trabalham ou já trabalharam como empregada doméstica, “Aqui Não Entra Luz” estreia nesta quinta-feira, 07/05.

 

 

 

Quem dirige

Karol Maia se inspira em suas referências periféricas e negras para desenvolver seus projetos. Dirigiu a série Helipa – Um Autorretrato (2024) também dirigiu Cartas Marcadas, Mães do Brasil 2 e Projeta Quebrada. Foi selecionada para iniciativas de formação como o CoLaboratório, da Netflix, o LaNaNe, da TV Globo, e o Netflix Directing Bootcamp.