“ECLIPSE” CONFRONTA A HISTÓRICA MISOGINIA BRASILEIRA.

Por Celso Sabadin.

Cléo (Djin Sganzerla) e Nalu (Lian Gaia) são meias irmãs que não se vêm há muitos anos. Ambas são diametralmente opostas entre si. Loira e branca, Cléo cresceu como a preferida do pai, e hoje é uma astrônoma conceituada. Indígena e morena, Nalu é fruto de um adultério, e atualmente está fugindo de uma situação de assédio sexual. O encontro de ambas, traumático num primeiro momento, aos poucos evolui para uma parceria de amizade e solidariedade (antes se dizia sororidade), na qual aflorarão algumas das terríveis realidades do universo masculino.

O longa se inicia como drama, flerta com a crítica social e segue depois o rumo do suspense, sempre mantendo no foco a questão feminina.

“Eclipse” nasceu após Djin – que também corroteiriza com Vana Medeiros, dirige e produz o filme – tomar conhecimento de um violento caso real de misoginia. A partir daí, ela imaginou esse encontro que destrava memórias reprimidas e expõe camadas ocultas de relações abusivas, no passado e no presente. Do choque entre ciência e ancestralidade, emerge uma trajetória marcada por intuição, investigação e transformação.

No elenco ainda estão Sergio Guizé, Selma Egrei, Helena Ignez, Luís Melo, Clarisse Abujamra, Gilda Nomacce, Pedro Goifman e Julia Katharine.

“Eclipse” nesta quinta-feira, 07/05, em São Paulo, Rio de Janeiro, Vitória, João Pessoa, Ribeirão Preto, Florianópolis, Maceió, Curitiba, Porto Alegre e Brasília. Enquanto Belo Horizonte, Salvador e Caxias do Sul recebem pré estreias especiais ainda nesta semana.

 

Quem dirige

Djin Sganzerla é diretora, atriz, roteirista e produtora de cinema. Iniciou sua carreira como atriz, trabalhando com alguns dos mais respeitados cineastas do país e recebendo diversos prêmios, entre eles o APCA de Melhor Atriz de Cinema. Roteirizou, dirigiu e atuou em “Mulher Oceano” (2020), seu primeiro longa-metragem como diretora, filmado no Japão e no Rio de Janeiro. O filme recebeu 15 prêmios nacionais e internacionais, incluindo três de Melhor Filme e três de Melhor Direção, e foi exibido nos Estados Unidos, na Europa e na Ásia. Mulher Oceano teve lançamento comercial no Brasil e em Portugal. Pelo filme, Djin foi indicada ao Grande Prêmio do Cinema Brasileiro na categoria Melhor Primeira Direção e ao Prêmio da Associação Brasileira de Autores Roteiristas – ABRA, pelo roteiro. Em 2022, dirigiu e roteirizou, ao lado de André Guerreiro Lopes, o curta-metragem Antes do Amanhã. A obra recebeu o Prêmio Especial do Júri e o Prêmio de Melhor Fotografia, sendo exibida em festivais como o 33º Festival Internacional de Curtas de São Paulo e o Beijing International Short Film Festival. É sócia da Mercúrio Produções, produtora fundada em 2001, com mais de 30 longas-metragens em seu currículo. Djin é filha dos cineastas Rogério Sganzerla e Helena Ignez. Eclipse é seu segundo longa-metragem como diretora, filmado em São Paulo e no Pantanal.