ENTRE O DRAMA E A COMÉDIA, “ERA UMA VEZ MINHA MÃE” CHEGA AOS CINEMAS.

Por Celso Sabadin.

Dizem que mãe é tudo igual: só muda o endereço. Mas dizem também que as mães judias são mais iguais que as outras, e que elas sempre dão duas gravatas de presente aos seus filhos apenas para poder reclamar: “Você não está usando aquela gravata que eu te dei”. De qualquer maneira, o tema geralmente rende bons filmes no cinema. Um deles é a produção franco-canadense “Era uma Vez Minha Mãe”, que chega ao Brasil esta semana, aproveitando o Dia das Mães.

Com direção de Ken Scott (não confundir com o histórico produtor musical homônimo), “Era uma Vez Minha Mãe” segue a conturbada trajetória de Roland (vivido por Jonathan Cohen, Naim Naji e Noé Schecroun, em diferentes idades), sexto filho de uma família parisiense de origem marroquina, que nasce com uma deficiência no pé direito. Uma simples órtese resolveria o problema, mas Esther (Leïla Bekhti), mãe de Roland, recusa o tratamento, e mergulha numa verdadeira obsessão de curá-lo através de um milagre. Esta será apenas a primeira entre as várias obsessões que Esther inculca em si mesma, o que transformará de maneira determinante a vida de Roland.

“Era uma Vez Minha Mãe” tem o grande mérito de transitar com grande desenvoltura entre a comédia e o drama. Se estivéssemos na época das videolocadoras, seria difícil encaixar o filme em uma única prateleira específica. No fundo, o longa causa no espectador basicamente as mesmas emoções que as mães causam em seus filhos: risos, raiva e choro. Indignação e admiração. E, em todas as nuances, o roteiro cheio de surpresas – baseado no livro autobiográfico do advogado francês Roland Perez – se mostra convincente e a direção, eficiente.

Com duas indicações ao prêmio César (atriz e desenho de produção), “Era uma Vez Minha Mãe” estreia em cinemas  brasileiros nesta quinta-feira, 07/05.

 

Quem dirige

O cineasta canadense Ken Scott construiu sua carreira entre o roteiro e a direção, com destaque para comédias de grande alcance. Como roteirista, assinou títulos como Seducing Doctor Lewis (2003) e Guide de la Petite Vengeance (2006), além de Maurice Richard (2006), dirigido por Charles Binamé. Estreou na direção com Les Doigts Croches (2009) e alcançou projeção internacional com Starbuck (2011), maior sucesso de bilheteria do Canadá naquele ano. O filme foi vendido para mais de 100 países, premiado em festivais como Santa Barbara, Palm Springs e Alpe d’Huez, e ganhou remakes como o francês Fonzy e o americano Delivery Man, também dirigido por Scott, marcando sua entrada em Hollywood.