“HIMMELSKIBET”, O PACIFISMO EM CONTRAPOSIÇÃO À I GUERRA.
Por Celso Sabadin.
A Grande Guerra ainda se prolongaria por quase um ano, quando “Himmelskibet” foi lançado, em cinemas de Copenhagen. No contexto mundial de intolerância e destruição, a mensagem pacifista do longa se revestiu de um caráter ainda mais amplificado.
A partir do livro homônimo do escritor, poeta, dramaturgo e jornalista dinamarquês Sophus Michaëlis, o roteiro conta a história de um grupo de cientistas e pioneiros que viajam até Marte. Lá chegando, eles encontram uma civilização altamente desenvolvida, sem armas nem crimes, em paz… e vegetariana. Tamanha evolução assusta os terráqueos, que muito rapidamente provocam transtornos e envolvem-se em problemas por causa de suas armas de fogo e percepções restritas da vida. Caberá aos marcianos tentar iluminá-los. Ou iluminar-nos.
Há uma interessante mistura de suntuosidade e solenidade nos marcianos, sempre trajados com longas túnicas e roupas brancas que remetem tanto a um visual de Grécia Antiga, como a algum tipo de seita ancestral. É como se o pensamento filosófico que conduz o planeta estivesse irremediavelmente ligado à Antiguidade. Por outro lado, a exuberância de flores e adereços – e até de olhares e movimentos lisérgicos – de certa forma antecipam comportamentos e visuais que ganhariam o mundo através do movimento hippie que só aconteceria em 50 anos. Evoluído, o povo de marte é ao mesmo tempo progressista e conservador. Progressista ao atribuir a função de juíza a uma personagem feminina, impensável para a época do filme; e conservador ao valorizar símbolos religiosos e propor aos terráqueos uma certa “dança da castidade”. De qualquer maneira, “Himmelskibet” insere-se naquela maioria de obras de ficção científica nas quais a Terra tem sempre um desenvolvimento humano inferior ao dos povos dos demais planetas.
Numa época em que a tecnologia dos foguetes ainda não estava popularizada (o que só vai se intensificar na Segunda Guerra, com os mísseis nazistas V2), a nave que leva os terráqueos para a estratosfera tem o desenho e a mobilidade de um avião, denominado Excelsior, que por sinal reflete o que seria a tradução do título original do filme: A Nave Celeste.
Tem uma cópia muito boa, com várias opções de legendas (lembrando que o filme é mudo) em https://www.youtube.com/watch?v=2blVjZvq0Vc


