O LUTO TRANSFORMADOR DE “CINCO DA TARDE”.

Por Celso Sabadin.

Um pequeno e terno ensaio sobre perda e acolhimento. Assim pode ser definido “Cinco da Tarde”, terceiro longa ficcional do niteroiense Eduardo Nunes, que chega aos cinemas nesta quinta-feira, 18/06 (o filme, não o Eduardo Nunes).

Introspectivo como o luto, “Cinco da Tarde” abre mostrando a jovem Anabel (Bárbara Luz, a Nalu de “Ainda Estou Aqui”) buscando assimilar a difícil notícia da morte de sua avó. Neste doloroso e silencioso processo, Anabel encontra o apoio de Meiko (Sharon Cho), uma vizinha de prédio que ela sequer conhecia. Meiko conhecia a avó de Anabel, mas Anabel não conhecia Meiko. Em comum entre elas apenas o mesmo prédio, que antigamente era um cinema, e a pracinha em frente, oásis de paz e natureza em tempos de estresse e isolamento urbano.

Desafiando a solidão contemporânea, Anabel e Meiko se aproximam. Juntas, enfrentam seus fantasmas, ou pelo menos se acostumam a conviver com eles. A bela fotografia em preto e branco de Mauro Pinheiro Jr contribui de forma decisiva para o clima de pesar. Mas o encontro improvável de quem provavelmente jamais se encontraria acena com uma luz de possibilidades. A beleza da praça flerta com a memória saudosa do cinema que não existe mais. Passado e futuro se tangenciam. O presente é fugaz.

“Cinco da Tarde” é produzido pela brasileira 3 Tabela, em parceria com a portuguesa Bando à Parte. O ritmo do filme não esconde a parte lusitana da produção. A estreia em cinemas do Brasil é nesta quinta, 18/06. Em Portugal, está prevista para o próximo semestre.

Quem dirige

Eduardo Nunes nasceu em 1969 na cidade de Niterói. Estudou na Escola de Cinema da UFF. Em 1994 dirigiu seu primeiro curta: “Sopro”. A partir daí, seguiram-se outros quatro curtas, que, juntos, ganharam mais de 50 prêmios internacionais. Em 2012, realizou “Sudoeste”, seu primeiro longa-metragem, que estreou na competição do Festival de Rotterdam, e foi exibido em 27 países, ganhando 23 prêmios (incluindo dois Fipresci e o prêmio Andrei Tarkovski). “Unicórnio”, seu segundo longa-metragem, estreou em 2018 no prestigiado Festival de Berlim (Berlinale), e conta com Patrícia Pillar e Zécarlos Machado no elenco. O filme foi exibido e premiado em diversos festivais internacionais.