“VIVO 76” E A ALMA ALUMIADA DE ALCEU VALENÇA.

Por Celso Sabadin.

Muitos documentários sobre artistas documentam vidas, carreiras, pessoas, trajetórias… Mas nem todos conseguem documentar a verdadeira alma do objeto registrado. “Vivo 76” – na programação do Festival É Tudo Verdade – é um desses poucos que conseguem. No longa de Lírio Ferreira (o histórico coautor do não menos histórico “Baile Perfumado”), o músico, cantor, compositor, ator e multiartista Alceu Valença surge em toda a sua vivacidade, criando – através das lentes de Lírio – uma forte conexão com o público que o acompanha há meio século.

O título do filme, aliás, é referência a estes 50 anos do disco (lembram da época do disco?) “Vivo 76”, época em que era pouco usual a gravação e edição de discos de shows ao vivo, devido às condições técnicas do momento. Assim, o filme se propõe a registrar Alceu desde o seu nascimento na pequena São Bento do Una (sim, em Pernambuco, onde mais?) até o ano de 1976. Não, não toca “Anunciação”, que é de 1983. Talvez só se houver uma segunda parte do documentário.

Neste percurso, “Vivo 76” revela um artista cheio de energia, inventividade, talento e muito bom humor. Ou “uma viagem lisérgica e documental que resgata a sopa seminal pernambucana que uniu ritmos tradicionais e a vanguarda do deserto, revelando Alceu como figura central do underground nordestino”, como diz o próprio material promocional deste longa do qual a gente sai com a alma lavada e enxugada.

E já que o assunto é efeméride, Alceu completará 80 anos no próximo 1º de julho. Parece ter 18.

Acompanhe a programação do É Tudo Verdade em www.etudoverdade.com.br/br/home/