VOCÊ CONHECE – MESMO – FRIDA KAHLO?  

Assim como Che Guevara e Marilyn Monroe, Frida Kahlo também virou ícone da cultura pop, multiplicando-se walterbenjaminiamente em camisetas, bolsas, bijuterias e todo tipo de bugiganga.  Porém (aliás, muito provavelmente), boa parte de quem veste a imagem de Frida sabe muito pouco de sua arte. Uma boa oportunidade de tentar peko menos minimizar essa lacuna artística é assistir ao documentário “Frida Kahlo, inédito o e exclusivo do Canal Curta.

A estreia foi ontem, 31/03, mas haverá reprises (confira no fim do texto).

Usando cartas escritas por Kahlo e a tecnologia mais recente, o documentário descodifica obras chave e revela as emoções profundas e o simbolismo singular de sua arte, resgatando sua voz e legado com profundidade inédita. As cores, técnicas e a criatividade são algumas das marcas de Frida Kahlo. Virtudes que construíram algumas das obras mais elogiadas do século XX, e que contam histórias profundas sobre sua vida, estão no doc.

Nascida na Cidade do México num momento de efervescência cultural, apesar das estruturas machistas e tradicionais, Frida demonstrava vocação para as artes desde a infância. Talento que começou a desenvolver depois de sofrer um acidente que afetou sua mobilidade, e com equipamentos adaptados à sua mobilidade reduzida

“Como meus temas sempre foram minhas sensações, meu estado de espírito e as reações profundas que a vida vinha produzindo em mim, objetifiquei tudo isso em retratos de mim mesma. O ato mais sincero e verdadeiro para expressar como me sentia”, explica em carta.

Frida pintou mais de 150 obras, um terço delas de autorretratos. O documentário estuda algumas delas, como um dos seus primeiros quadros “Autorretrato com vestido de veludo”, de 1926, e o impactante “Hospital Henry Ford”, 1932, quando ela expõe as dores e aflições de um aborto sofrido enquanto vivia uma relação conturbada com Diego Rivera. Aliás, sobre ele ela escreve: “Houve dois grandes acidentes em minha vida: um foi o bonde. O outro o Diego. Diego foi, de longe, o pior”.

“É uma das primeiras obras que fez de Frida uma artista radical, ousada e única no gênero. A mulher nua tradicionalmente é retratada de uma forma bem específica na cama, mas Kahlo destrói essa tradição. Mostra a experiência dela com um aborto espontâneo, algo que nunca tinha sido exibido em lugar nenhum”, analisa a professora de História da Arte, Gannit Ankori.

O filme mostra como suas técnicas, ângulos, traços e símbolos recriavam suas experiências. Frida utilizava seu talento para reinterpretar episódios de sua vida de maneira mágica. Suas telas como “Duas Fridas”, de 1939, se tornaram referência na arte e sua coragem e liberdade a tornaram num símbolo de força e representatividade.